Tiago Queiroz/AE
Tiago Queiroz/AE

Posfácio de 'A Amazônia de Euclides'

Em 2009, ano do centenário da morte de Euclides da Cunha, o Estadão publicou uma série de reportagens sobre a vida e a obra do autor de Os sertões. Em março daquele ano, Daniel Piza e o fotógrafo Tiago Queiroz viajaram para o Acre, onde percorreram de barco o último trecho da famosa viagem de Euclides às cabeceiras do Purus (1905). Daniel sabia dos meus laços afetivos e familiares com o Acre e do meu interesse pelos textos euclidianos. Por isso, ele me convidou para fazer parte da comitiva, mas infelizmente tive de cancelar minha participação nessa viagem. No entanto, acompanhei o seu "diário" de bordo ao Alto Purus e escrevi um posfácio para o livro que ele e Tiago publicaram em 2010. Os ensaios amazônicos de Euclides estimularam Daniel a conhecer o Acre e refazer a parte final do itinerário da expedição de 1905.

08 de janeiro de 2012 | 07h00

Além disso, Daniel tinha um enorme interesse pelo Brasil e pela cultura brasileira, e não apenas com o que vinha de fora. Certamente tínhamos divergências, que eram também temas de nossas conversas. Mas essas discrepâncias em nenhum momento impediu uma amizade que durou mais de doze anos. Ele escrevia sobre muitas coisas no calor da hora, às vezes se arriscando a fazer comentários apressados ou inadequados. Os jornalistas que lidam com a cultura sabem que isso é inevitável. Mas correr esse risco é um ato de coragem. Sem dúvida, a curiosidade, a vitalidade e a energia intelectual de Daniel Piza eram incomuns. Mais incomum foi a notícia de sua morte, que repercutiu como algo absurdo. Como é absurdo e doloroso perder precocemente um amigo.

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