Português vem do latim vulgar dos romanos

O português firmou-se como língua em meados do século 14, à medida que a região oeste da Península Ibérica se libertava do domínio árabe. Sua raiz está no latim vulgar usado pelos soldados, à época em que os romanos dominavam a península, no século 3.º a.C. Depois de alguns séculos de dominação árabe, criou-se o pequeno condado de Portus Cale, que foi crescendo e aperfeiçoando o dialeto galego-português usado na região, já que todos queriam distância do árabe. O que era uma língua vulgar foi sendo lapidada, até ganhar status de nobre.Ao mesmo tempo, o português moderno manteve-se gramaticalmente muito próximo do antigo, sendo perfeitamente inteligível sem grandes estudos. No francês, por exemplo, a língua antiga, que se firmou após a Guerra dos Cem Anos, em meados do século 15, é praticamente outro idioma, se comparado com o francês moderno. "Com uns dois meses de treino, é possível ler a carta de Pero Vaz de Caminha, transcrita na grafia original, sem grandes dificuldades", explica Eduardo Bueno, autor de A Aventura do Descobrimento. Ele explica que a leitura do documento original, escrito à mão (paleografia), requer maior aprofundamento.Graças à expansão ultramarina portuguesa, no século 16, nossa língua se difundiu pelo continente africano, americano e asiático, tornando-se a quinta mais falada do planeta. A dominação lusitana foi também uma via de mão dupla, que permitiu um fantástico enriquecimento da língua, graças à incrível capacidade de aportuguesamento de expressões locais. Esse fenômeno é mais comum em Portugal, já que o Brasil tem fascínio por expressões inglesas. O brasileiro incorpora termos ingleses, com as pronúncias mais absurdas, enquanto Portugal as adapta. Assim, enquanto no Brasil predomina o hacker, os lusitanos usam ciberpirata. Site é sítio, fast-food é comida rápida, durex é fita cola e por aí vai.Por outro lado, a fidelidade às origens faz com que o português tenha grandes palavras formadas a partir da prefixação e/ou sufixação, comum no alemão. Um exemplo é uma doença capaz de matar de susto quem acaba de se descobrir portador: pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiose. Trata-se de uma doença pulmonar grave, causada pela aspiração de microscópicas cinzas vulcânicas. Para a sorte dos nossos lexicógrafos (e das pessoas), a palavra não existe por essas bandas, isentas de vulcões. A bem da verdade, algum carioca acabaria por apelidá-la de vulcaniose ou algo do gênero. (M.L.)

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