Portugal discute pobreza da língua

A língua portuguesa está cada mais pobre e não acompanha o desenvolvimento tecnológico, defende a Associação de Empresas de Tradução, promotora de uma conferência sobre terminologia que acontece hoje e sábado em Lisboa.A língua portuguesa não tem acompanhado o desenvolvimento tecnológico, sobretudo, na área de informação, pelo que é cada vez mais freqüente a adoção de palavras estrangeiras, sobretudo, os anglicismos, assinalou a presidente da Associação Portuguesa de Empresas de Tradução (APET), Fátima Castanheira. Na Conferência Internacional sobre Terminologia, cuja organização está também a cargo da Associação de Terminologia, vai ser debatida a necessidade de definir em português termos para classificar "novos produtos ou fenômenos" que vão surgindo no mercado. O grande objetivo deste encontro é "sensibilizar os setores industrial e empresarial para a necessidade de investir na área da terminologia". Como exemplos, Fátima Castanheira lembrou que usualmente se usam palavras como upload, download, e-mail ou feed-back, em vez de carregar, descarregar, correio eletrônico ou reação. O problema nem sequer está, na sua opinião, em "criar novas palavras, uma vez que a língua portuguesa é riquíssima, mas em atribuí-lhes novos usos". Para tal, seria necessário criar uma entidade responsável pela promoção e pelo desenvolvimento da língua portuguesa. De acordo com Fátima Castanheira, na Alemanha "foi criada uma associação que tem como objetivo consagrar de forma generalizada, em nível nacional, os termos atribuídos a determinados produtos". A presidente da APET sublinhou ainda que os países escandinavos, com línguas minoritárias, "estão na linha de frente em termos de terminologia" e que "na Catalunha há um serviço de terminologia, que trabalha junto ao município, responsável por encontrar termos em Catalão na área das novas tecnologias". Na atual conjuntura, em que "Portugal faz parte da União Européia, aderiu à moeda única e em que se ouve falar de uma federação", importa não descurar o português para que o país não perca a sua identidade, já que "a língua é o mais importante para uma nação e para um povo", frisou. Fátima Castanheira apontou ainda as vantagens econômicas que um investimento na terminologia trariam. Um "bom exemplo" é a Oracle (multinacional na área da informática), que tem "uma equipe responsável pela designação das várias peças de um produto desde a sua fabricação, de forma a que quando chega ao fim já está designado em todas as suas vertentes". "Quando o produto está pronto, toda a sua nomenclatura é traduzida por especialistas de terminologia nos vários países, em que a empresa está presente", continuou. O que acontece, muitas vezes, com empresas que não têm este tipo de organização é que, quando um produto chega ao fim de sua fabricação, perde-se tempo a classificá-lo, disse, acrescentando que "tudo feito em paralelo é uma economia de escala incrível". Fátima Castanheira considera que "é preciso fazer algo para dinamizar e modernizar a língua portuguesa e acompanhar a evolução", sob pena de o português se transformar "em um amálgama de várias línguas".

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