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Portinari retorna a Paris em grande estilo

Painéis 'Guerra e Paz', criados pelo mestre brasileiro para a sede das Nações Unidas, em Nova York, são expostos pela primeira vez ao público europeu no Grand Palais, na capital francesa

Andrei Netto, Correspondente Paris - O Estado de S. Paulo

06 de maio de 2014 | 12h57

O Grand Palais, um dos espaços artísticos mais nobres da França, inaugura nesta terça-feira, 6, uma mostra excepcional dedicada aos paineis Guerra e Paz, de autoria do pintor brasileiro Cândido Portinari. A obra, usualmente em exposição na sede das Nações Unidas, em Nova York, passou por restauração no Brasil e agora entra em exposição até 9 de junho em Paris.

O projeto é fruto de cinco anos de trabalho coordenado pelo filho de Portinari, João Cândido, que acompanhou ontem em Paris os últimos detalhes da abertura da exposição. Guerre et Paix de Portinari – Un chef-d'oeuvre brésilien pour l'ONU (Guerra e Paz de Portinari – Uma obra-prima brasileira para a ONU, na tradução literal) gira em torno dos dois painéis de 14 metros de altura pintados entre 1952 e 1956, obras que denunciam a tragédia dos conflitos armados ainda à luz da 2ª Guerra Mundial.

Em um dos pavilhões do Grand Palais, os dois colossos foram dispostos lado a lado, e confrontados por uma parede de espelhos gigante, que reflete o trabalho e cria uma sensação de onipresença das imagens de tempos de guerra e paz.

Segundo a arquiteta carioca Virgínia Fienga, coordenadora de Museografia do Museu D'Orsay desde 2006 e cenarista da exposição, o objetivo é acentuar no visitante a sensação de grandiloquência do projeto de Portinari. "Minha ideia foi criar uma espécie de catedral para acentuar a monumentalidade da obra", disse Virgínia ao Estado. Os painéis são interpostos por um grande telão também vertical no qual são exibidos os estudos que o pintor brasileiro realizava antes de passar ao ato da pintura. Cada imagem na tela é acompanhada de um foco de luzes no painel, criando uma interação entre o trabalho pictoral e sua origem conceitual. "A proposta foi criar um diálogo poético entre os estudos e a obra de Portinari", explicou Mauricio Moreira, diretor do projeto audiovisual do Estúdio Preto e Branco, que trabalhou com o Projeto Portinari na concepção da mostra de Paris.

Embora seja centrada nos dois painéis emblemáticos do pintor, a exposição também apresenta ao público as telas que deram origem ao mosaico de histórias da obra maior, como A ciranda das mulheres e as crianças que brincam e Coral de crianças, os dois derivados do painel Paz, e Mulheres que não querem ver e O desespero, extratos do painel Guerra. Traz ainda um Catálogo Raisonné eletrônico com mais de 5 mil croquis e obras de Portinari apresentados em ordem cronológica. O documentário, também monumental, é viabilizado por quatro projetores sincronizados que iluminam um segundo telão, em um apanhado de imagens sobre o trabalho do pintor com duração total de nove horas. Completam a mostra duas linhas do tempo, uma convencional, afixada no hall de entrada da exposição, e uma eletrônica, em forma de webdoc, na qual é possível navegar e conhecer detalhes da vida e da obra de Portinari.

A exposição custou um total de R$ 8,5 milhões, patrocinados pelo Banco do Brasil, Caixa, BNDES e Petrobras, além dos grupos franceses Casino, GDF Suez e Alstom. A expectativa da direção do Grand Palais é de que cerca de 300 mil pessoas visitem a mostra, que fica em cartaz apenas um mês, antes de embarcar de volta a Nova York. Essa, aliás, é uma das razões pelas quais João Cândido confia no sucesso do projeto: "É provável que esta seja a última vez que o público europeu terá a oportunidade de ver Guerra e Paz fora da sede das Nações Unidas".

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