Portinari ganha "Catálogo Raisonné"

Foram 25 anos de pesquisa. Finalmente, ontem, o filho do pintor Cândido Portinari, João Cândido, apresentou o Catálogo Raisonné de seu pai, resumo de sua obra, num total de 4.991 itens descritos por tema, suporte, técnica e data. O lançamento oficial será na 26.ª Bienal Internacional de São Paulo, mas os cinco volumes do catálogo (também em CD-ROM) já podem ser comprados por R$ 2 mil. O primeiro foi entregue à diretora da Casa de Portinari, em Brodowski, Angélica Fabbri. Foi lá, na Fazenda Santa Rosa, onde seus pais eram colonos, que Portinari nasceu em 1903 e passou toda a infância. O Catálogo era o mais ambicioso projeto de João Cândido para comemorar os 100 anos de nascimento do pai, mas só foi possível realizá-lo com patrocínio da Petrobrás, que investiu R$ 1,8 milhão pela Lei Rouanet e o incluiu na comemoração dos 50 anos da empresa. "Foi uma luta, desde 1978, quando criamos o Projeto Portinari", contou João Cândido. Na pesquisa, ele e outro professor criaram um método de atribuição de autoria com parâmetros de informática avançada. Há referência às obras de Portinari conhecidas e/ou citadas em cartas, bilhetes, artigos de jornais e revistas, um total de 30 mil documentos analisados pelo Projeto Portinari. "Das 4.991 obras, há 825 cujo paradeiro é desconhecido e talvez muitas das quais sequer ouvimos falar", avisa João Cândido. "O Catálogo Raisonné é uma ferramenta para o pesquisador e para o mercado de arte porque congela a obra e dificulta a falsificação." Apesar de focado em um pintor, o modelo de catálogo de Portinari serve a outros gêneros de expressão. "A partir da vida e da obra de um artista, estudamos o pensamento o de sua geração", explicou João Cândido. Além da biografia do pintor, há cartas trocadas com amigos e referências à sua obra, de contemporâneos de ele, como Carlos Drummond de Andrade. Lançado o Catálogo, João Cândido busca agora realizar outro plano ambicioso, o Memorial Portinari, a ser construído em Brodowski, na fazenda onde ele nasceu. O projeto é de Oscar Niemeyer, companheiro do pintor na militância política (ambos eram comunistas) e em várias obras, como a Pampulha, em Belo Horizonte. O memorial terá um auditório para 500 pessoas e um espaço para exposições de mil metros quadrados, mas não está sequer inscrito em leis de patrocínio federais ou estaduais. Já a popularização da obra de Cândido Portinari está em pleno vapor. Desde 2001, réplicas computadorizadas de seus quadros são levadas a escolas, presídios, cidades que margeiam os grandes rios brasileiros. Atualmente, parte do projeto percorre cidades ribeirinhas do Amazonas, também com patrocínio da Petrobrás. Em 2005, deve ser mostrada no São Francisco. "Em contato com a obra, as pessoas, especialmente as crianças que têm um olhar mais aguçado, refletem sobre o País."

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