Portinari é vendido por preço recorde

O quadro Meninos Soltando Pipas foi arrematado ontem, no leilão da Christie's de Nova York, por US$ 1.443.750

TONICA CHAGAS, ESPECIAL PARA O ESTADO, NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2013 | 02h08

No leilão de arte latino-americana promovido ontem pela Christie's de Nova York, a obra Meninos Soltando Pipas, de Cândido Portinari (1903-1962), foi vendida por US$ 1.443.750 (não incluindo descontos de comissões), o preço mais alto já pago em leilão por uma obra do brasileiro. Havia uma estimativa de venda entre US$ 800 mil e US$ 1,2 milhão para o óleo sobre tela (73,7 x 60 cm) pintado em 1941.

Já o óleo sobre tela Composição Construtiva, pintado em 1931 pelo uruguaio Joaquín Torres-García (1874-1949), e Relevo nº 236, composição abstrata criada em 1969 pelo brasileiro Sérgio Camargo (1930-1990), lideraram os preços. Estreando em venda pública com estimativa entre US$ 700 mil e US$ 900 mil, o quadro de Torres-García foi adquirido por US$ 1,445 milhão em lance por telefone de um colecionador sul-americano, como o identificou a Sotheby's.

O relevo de Sérgio Camargo, avaliado entre US$ 400 mil e US$ 600 mil, foi vendido também por telefone a um licitante latino-americano por US$ 845 mil (os preços incluem a comissão da casa de leilões). Três trabalhos de Camargo foram vendidos nas sessões de terça-feira à noite e ontem de manhã. Além de Relevo nº 236, Orèe, de 1964, outra construção de madeira pintada feita pelo artista brasileiro em Paris e para a qual os leiloeiros calculavam preço entre US$ 70 mil e US$ 90 mil, saiu por US$ 425 mil; uma peça sem título, de mármore belga preto sobre base giratória e avaliada entre US$ 80 mil e US$ 120 mil, foi comprada por US$ 81.250.

Por US$ 700 mil foi vendida uma obra de Carlos Cruz-Diez, feita em Paris nos anos 1970, chamada Physichromie UBS Rouge - um recorde de vendas para a obra do mestre venezuelano da arte cinética.

Abstrata. A obra de Torres-García foi adquirida por um colecionador latino-americano que, segundo a Sotheby's, preferiu ser mantido em anonimato. A pintura data da principal época da carreira do artista uruguaio, tido como um dos pais da arte abstrata da América Latina. Pertencia, há 80 anos, à família de Lusiane Rey, que foi amiga do artista plástico, e só agora foi colocada à venda pela primeira vez. "É uma obra excepcional e o preço conseguido no leilão foi realmente alto, mas não nos surpreendeu, acreditávamos que poderíamos chegar a esse valor", disse na noite de terça Axel Stein, diretor do departamento de arte latino-americana da Sotheby's. "A obra merece", disse.

No total, na terça-feira, foram vendidos 43 dos 60 lotes oferecidos, resultando em uma arrecadação de cerca de US$ 14,7 milhões.

COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.