Portinari dos cariocas

Pinacoteca abriga mostra itinerante, que traz dos Museus Castro Maya, no Rio, o melhor do acervo do artista

Camila Molina, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2010 | 00h00

Nos Museus Castro Maya do Rio (que compreende o Chácara do Céu e o do Açude), o conjunto de obras de Candido Portinari (1903-1962) é o mais especial do acervo. As 11 telas do artista presentes na coleção, além de desenhos, gravuras e livros ilustrados (totalizando 168 originais), são expostos, por falta de espaço, em sistema de rodízio, trocados a cada período de cerca de seis meses, como diz uma das curadoras da instituição, Anna Paola Baptista.

Curiosamente, agora em São Paulo o público poderá ver o que ela considera o acervo completo dos museus cariocas, na exposição Portinari na Coleção Castro Maya, que será inaugurada hoje na Pinacoteca do Estado. Além de todas as 11 telas - que, em se tratando do artista, são sempre valiosas -, está na mostra um conjunto amplo de seus desenhos avulsos e suas gravuras. Ficaram no Rio neste momento, como diz a curadora, apenas os exemplares de obras nas quais há mais de uma versão, ou seja, de peças gráficas.

Desde 2005, a exposição Portinari na Coleção Castro Maya, que reúne cerca de 60 obras realizadas entre 1938 e 1958, está itinerando pelo Brasil - já passou por Curitiba, Salvador e Brasília, mas sempre com paradas no Rio para que o público carioca não fique tanto tempo órfão das criações do artista exibidas no Chácara do Céu. "Esse acervo é uma marca dos Museus Castro Maya", diz Anna Paola Baptista - é considerado a maior coleção pública de Portinari do País, adquirida entre as décadas de 1940 e 60. Agora, em São Paulo, a curadora destaca a oportunidade de ser ver telas como A Barca (1941), com 2x2 metros e que resultou ainda em trabalhos do artista em outras técnicas; ou Grupo de Meninas Brincando (1940) - "um Portinari típico, com composição de terra marrom e figuras de crianças e pipas", ela analisa; e 21 exemplares da famosa série do D. Quixote, de 1953. "Podemos dizer que boa parte dos recursos da exposição são destinados ao seguro das obras."

Amizade. Quando surgiu o projeto de realizar a exposição, Anna Paola Baptista afirma que pensou em conceber uma mostra que não fosse apenas de Portinari, mas que apresentasse, ainda, a figura do colecionador Raymundo Ottoni de Castro Maya, afinal, o responsável por criar em sua vida um grande e eclético acervo. "Temos mais de 500 obras de Debret e uma grande coleção Brasiliana; há ainda arte moderna brasileira e internacional e arte popular, em que destaco o conjunto de peças de Mestre Vitalino", enumera a curadora. A exposição, dividida nos núcleos Colecionador, Mecenas e Amigo, apresenta, assim, Castro Maya e revela a relação de amizade entre ele e Portinari.

Os dois se conheceram em 1942, quando Castro Maya convidou Portinari a ilustrar o primeiro livro da Sociedade dos Cem Bibliófilos, a obra Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis - trabalho que ficou pronto em 1943 e que também figura na exposição Coleção Brasiliana Itaú, na Pinacoteca. "A amizade começou como uma relação profissional, mas depois foi natural, eram homens da mesma geração", diz a curadora. Tanto que em 1943 mesmo, Portinari presenteou o amigo com o Retrato de Castro Maya.

PORTINARI NA COLEÇÃO CASTRO MAYA

Pinacoteca. Pça. da Luz, 2, 3229-9844. 10h/18h (fecha 2ª). R$ 6 (sáb., grátis). Até 6/6. Abertura hoje, às 11 horas

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