Portal oferece clássicos

A cravista Rosana Lanzelotte passou a vida adulta tentando arrumar tempo para se dedicar às duas inclinações, aparentemente incongruentes: a música e a informática. Solista com passagens por importantes salas de concerto europeias, graduada em engenharia, e com pós-doutorado em informática na França, ela agora consegue unir, em prol da música, as vocações. É sua a iniciativa do portal Musica Brasilis, que disponibiliza aos internautas, gratuitamente, partituras de compositores brasileiros. Pesquisadora obstinada, ela foi motivada pela própria dificuldade de encontrar determinadas obras. Em 2003, trabalhava para levantar partituras de autores nossos a serem executadas no Ano do Brasil na França dois anos depois. Não conseguia nada que não fosse Villa-Lobos ? afinal, ele fora editado por lá.

Roberta Pennafort / RIO, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2010 | 00h00

"Queríamos aproveitar a oportunidade e mostrar compositores diferentes, porque Villa já é muito conhecido. Contactei a Academia Brasileira de Música, eles ajudaram, mas ainda assim ficamos limitados. Queria achar Leopoldo Miguez, Heckel Tavares, Alberto Nepomuceno, Luciano Gallet, Glauco Velasquez, Almeida Prado...", conta Rosana, que, à época, já estava pensando em "juntar as competências" e a "facilidade de conversa entre os dois mundos" para "ajudar a música brasileira" ? o que vem fazendo também como professora da Pós-Graduação em Música da Universidade Federal do Estado do Rio.

O Musica Brasilis chega para resgatar e tornar disponíveis, no Brasil e no exterior, obras significativas de diferentes períodos históricos, num formato que possibilita sua execução: o usuário visualiza as partituras, com separação por instrumento, e pode acessar áudios e vídeos. O portal está no ar há poucos dias, mas já recebeu mensagens de agradecimento: um pianista australiano fã de Ernesto Nazareth se diz feliz por ter podido tocá-lo, assim como fizeram músicos brasileiros. Até ontem estavam disponíveis compositores dos séculos 18 e 19, como o padre José Maurício, Luis Álvares Pinto, e o austríaco Sigismund von Neukomm, que viveu no Brasil entre 1816 e 1821 - todos da corte de d. João VI ?, e outros que produziram também no século 20, como Nazareth e Almeida Prado, todas já em domínio público.

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