'Porn Karaokê' é um dos destaques do Festival de Curtas

É um título que pode induzir o leitor a pensamentos libidinosos, ainda mais que o filme se chama "Porn Karaokê". Mas é bom não se equivocar. A ideia é só chamar a atenção para um fato incontestável. Formato e suporte são meros detalhes. Alguns dos melhores e mais intrigantes filmes brasileiros da atualidade você pode ver, ou talvez já tenha visto, no Festival de Curtas. Como o citado "Porn Karaokê", de Daniel Augusto. Karaokê pornográfico. É um espaço. Uma adolescente que viu estranhas tatuagens surgirem em seu corpo - e depois elas desaparecem - busca explicações no Porn Karaokê. Existem referências a David Lynch. Los Angeles é um ponto no mapa, no centro do mundo da protagonista.

AE, Agência Estado

29 de agosto de 2012 | 11h21

Outra grande cidade, São Paulo, é a protagonista de "Cidade Improvisada", de Alice Riff, que investiga o universo do rap. Quando improvisam seus versos e cospem palavras iradas sobre a injustiça social e o caos urbano, os MCs que dropam freestyles diante da câmera da diretora colocam a voz da periferia na tela. O filme começa com (e ao longo dele voltam) as imagens de um equilibrista que caminha sobre os estreitos parapeitos de viadutos. Esse movimento precário assume uma dimensão metafórica. Os MCs são 15 e talvez seja até injusto destacar só um punhado deles - Max V.O., Slim Rimografia, Bebel Du Ghetto, DD. Na sessão de sábado à tarde no Cine Olido, no centro de São Paulo, o público aplaudiu em cena aberta as improvisações. A maior ovação foi para DD. A todos os problemas de quem vive na periferia ela acrescenta o da sua particular identidade. Ser mulher não é fácil em qualquer lugar.

O local, como em "Porn Karaokê", era muito importante. Nos amplos corredores que dão acesso ao conjunto de salas da Galeria Olido, nos sábados à tarde, os street dancers fazem daquele lugar o palco de suas exibições. A cidade pulsa, em toda a sua complexidade, naquelas coreografias e nas improvisações. A cidade é, pelo contrário, estagnada no curta de Liliane Sulzbach que tem esse título - "A Cidade". Ela é habitada por velhos, e o espectador é introduzido à rotina de um lugar que parece parado no tempo. Aos poucos, revela-se uma história. A superação de um drama doloroso.

Daniel Augusto tem feito curtas que dialogam com a história e a cultura norte-americanas. "Fordlândia", em parceria com Martinho Andrade, é sobre a cidade construída numa gleba da Amazônia (e depois abandonada) por Henry Ford. "She Is Lost Control", com base na música do Joy Division, é sobre uma garota que sofre um acidente e se indaga sobre a própria identidade. A garota e a busca da identidade estão de volta em "Porn Karaokê". As marcas que surgem e desaparecem são metáforas do próprio cinema. Não se iluda. A duração pode ser curta, mas o efeito desses filmes no imaginário do público - no seu imaginário - persiste. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

FESTIVAL DE CURTAS

Salas de exibição: Cinemateca, Cinesesc, MIS, Espaço Itaú Augusta, Cine Olido, Cinusp. Programação: www.kinoforum.org

Mais conteúdo sobre:
cinemafestival

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.