Por uma vida menos ordinária

RIOQuando estreou em Nova York, em 2008, Next To Normal maravilhou público e crítica pela originalidade de sua história e a potência de seu texto (de Brian Yorkey) e música (Tom Kitt, de Alta Fidelidade). A dupla ganharia o Pulitzer de teatro e três Tony. De lá para cá, viu o espetáculo, mais rock'n'roll do que o título sugere, viajar mais de dez países.

ROBERTA PENNAFORT /, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2012 | 03h13

No Brasil, não deve ser diferente. Quase Normal, com versão e direção de Tadeu Aguiar e direção musical e regência de Liliane Secco, chega hoje ao Teatro Clara Nunes, no Rio, como uma novidade nos palcos brasileiros: trata-se de um musical denso, psicológico, distante do universo de noviças, munchkins e cabarés ao qual viemos nos acostumando desde que o desembarque de sucessos da Broadway se tornou mais frequente por aqui.

Vanessa Gerbelli faz o riquíssimo papel central - Diana Goodman é uma dona de casa bipolar cujos altos e baixos são domesticados por toneladas diárias de pílulas. O calendário da cozinha ainda está no ano passado, a comunicação com o marido e a filha de 18 anos está comprometida. O fantasma do filho perdido é o único consolo, um antídoto contra a depressão.

Diana chega a um ponto em que já não sente nada. "Valium é a minha cor favorita", diz. Descrente, Natalie, a filha, a chama de "Miss Rivotril". Até que Diana decide libertar-se dos remédios e ter uma "vida menos cinza".

"É um desgaste emocional muito grande. Estamos falando de loucura, morte, rejeição, apego", contava Vanessa ao fim do ensaio geral, quarta-feira. É seu 11º musical em 20 anos de carreira. "As músicas são comoventes, são um gatilho muito eficiente para chegarmos à emoção."

Poucos são os diálogos não-cantados. No mundo todo, plateias vão facilmente às lágrimas ao testemunhar a busca de uma mulher não por uma família normal, mas "quase normal". "O que será melhor: sintomas ou viver?" A constatação: não há quem seja feliz o tempo todo; há que se perseguir o equilíbrio.

"Assisti na Broadway em 2010 e saí transtornado. Não conseguia levantar no intervalo. Gosto de Disney On Ice, essas coisas, mas Next To Normal é o tipo de musical que quero propor como artista", conta Tadeu Aguiar. "A peça arrebata mãe, filho, pai. É a síntese da família moderna."

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