"Por Trás da Fama" traz Donna Summer

Atenção fãs de Priscila, A Rainha do Deserto, a musa das musas está no ar. O Por Trás da Fama, de terça-feira, 21h30, conta a vida e mostra a obra de Donna Summer, a rainha da disco music, aquela cantora que inundou as noites dos anos 70 e parte dos 80, com o seu jeito sexy de ser e fazer música. Não é difícil adivinhar o caminho musical da vida da moça. Começa exatamente da mesma forma que o de 10 entre 10 cantoras negras norte-americanas: no coro gospel da igreja onde o pai era pastor. É claro que o púlpito logo ficou pequeno para o talento de Donna, que tinha em artistas como Aretha Franklin, um dos seus ídolos. Donna nasceu em Boston, em 1948, numa família numerosa. Tinha muitas irmãs e nenhum espaço físico dentro de casa, nenhum lugar ou momento que pudesse ficar só. Ela exagera dizendo que, a bem da verdade, não tinha sossêgo nem para ir ao banheiro. O pai era daquele tipo rigoroso, que queria todas as meninas debaixo de sua asa, sob controle. Ficou de cabelo em pé quando soube que a mais talentosa das meninas do grupo vocal caseiro estava fazendo parte do elenco de apoio do musical Hair (espetáculo que escandalizava porque terminava com todo mundo nu no palco). E pior: que a peça ia excursionar pela Europa, fazendo temporada especialmente na Alemanha.A mãe foi encarregada de dobrar a intransigência paterna. Conseguiu. E lá foi Donna, com 18 anos, aprender um outro idioma, viver fora de casa. Bonita, magra e alta, logo conquistou um alemão com quem se casou e teve uma filha, Mimi. O conto de fadas não durou muito. Chegou ao fim quando ela sentiu que não tinha mais tempo para investir na carreira. De volta a Boston, deixou Mimi com os pais e foi à luta. Logo depois conseguiu gravar um disco e emplacar o primeiro hit de sua carreira: Love to Love You, Baby. Entrou na maior roda-viva. Os empresários criaram para ela a imagem de mulher sexy, famosa e rica, uma estrela.Só que a menina de Boston não tinha estrutura para segurar o tipo. Ficou perdida no meio daquela porção de gente dizendo a ela como andar, o que vestir, aonde ir.O próximo passo também foi comum a várias estrelas negras: drogas, depressão, remédios, tentativa de suicídio. Quando a febre disco dos anos 70 passou, ela até conseguiu se manter com sucesso. Casou-se novamente, teve mais duas filhas e tirou o pé do acelerador. Descobriu que conviver mais com a família também tem seus encantos. Deixou para trás alguns escândalos, intrigas e reportagens que garantiam que era gay. Donna chegou a convocar coletiva de imprensa para desmentir o boato. Depois que resolveu encarar uma vida mais pacata, descobriu novos prazeres como a pintura. Vez por outra, a onda disco e suas gravações voltam à cena e viram hit novamente. Ela nem se abala. Parece ter tudo o que quer: paz e controle sobre sua vida e carreira.

Agencia Estado,

18 de dezembro de 2000 | 23h01

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