Por que estes recusam o fardão

Por que estes recusam o fardão

Apesar de ter eleições sempre muito disputadas, há escritores que, mesmo cortejados pelos imortais, não aceitam fazer parte da Academia Brasileira de Letras. Cada um tem seus motivos.

Márcia Vieira, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2010 | 00h00

Antonio Candido, 91 anos. Seria aclamado na casa, onde tem amigos. Mas nunca quis se candidatar. Alega que não participa de grupos ou academias. Prefere ficar em casa estudando.

Chico Buarque, 65 anos. Quando Getúlio Vargas foi eleito para a Academia, durante o Estado Novo, vários escritores, entre eles seu pai, Sérgio Buarque de Holanda, e o poeta Carlos Drummond de Andrade, assinaram uma carta comprometendo-se a jamais entrar naquela casa. A um acadêmico que o procurou oferecendo a imortalidade, Chico Buarque respondeu que esse tipo de compromisso é hereditário. "Nem Chiquinho (seu neto mais velho) poderá entrar na Academia", diz.

Luis Fernando Verissimo, 73 anos. "Uma vez, depois que teve um enfarte, meu pai (Érico Veríssimo) foi convidado a se candidatar à ABL e justificou: "Mas eu já sou quase uma vaga!" Quando o amigo Vianna Moog insistiu para que ele se candidatasse, respondeu: "Está bem, Moog. Vou me candidatar para a tua vaga." E o Moog nunca mais tocou no assunto. Meu pai era contra qualquer tipo de formalidade ou solenização e acho que não se sentiria bem num fardão, apesar de ter amigos na Academia, e respeitá-la. Eu não me candidato porque não tenho uma obra literária que mereça a honra, nem o físico para o fardão, ainda mais depois que o Scliar (o escritor e imortal Moacyr Scliar) me contou que a gente não fica com a espada. Mas também tenho amigos lá dentro e respeito a instituição. Nada contra."

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