''Por que demolir o passado?''

DEPOIMENTO[br][br]João Máximo, Jornalista e Escritor

, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2010 | 00h00

Comecei a frequentar o Maracanã antes que ele existisse. Ou seja, desde que começou a ser construído em 1948. Morava em Vila Isabel, bairro colado ao estádio. Praticamente na minha mocidade toda fui ao Maracanã a pé. A garotada não tinha com que se divertir, pipa, jogo de botão, cinema. Peladas de rua e barreira eram a nossa vida. Ficou sendo uma espécie de programa ir aos sábados "fiscalizar" a construção. Discutíamos onde seriam as balizas, os vestiários, a geral, a tribuna. Estava no dia da inauguração, partida entre cariocas e paulistas, com portões abertos. E assisti a praticamente todos os jogos de 1950 ali realizados. Tive mais alegrias no Maracanã do que desapontamentos, depois de 50, como se nada pudesse superar a primeira decepção, que foi a derrota para o Uruguai na Copa. Havia 200 mil pessoas no estádio, 10% da população do Rio na época. O Maracanã perdeu o charme com as cadeiras, que são uma exigência da Fifa. Há quem defenda sua implosão para que um estádio moderno seja construído em seu lugar. Não tenho nada contra que se construa outro estádio, desde que seja com dinheiro bem controlado, mas o Maracanã deve ser preservado. É um monumento, um símbolo. Não sei por que a cidade tem que se modernizar demolindo o passado. O Maracanã foi moderno em 1950 e hoje não é mais. Mas quem disse que se deve destruir o que é bom só porque envelheceu?

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