Pontos polêmicos da vida de Machado de Assis

Machado de Assis, Um Gênio Brasileiro, a nova biografia do escritor, que será lançada nesta quarta-feira por Daniel Piza, colunista e editor-executivo do jornal Estado de S. Paulo, revê pontos importantes da história de Machado. Confira: MADRASTA: Biógrafos como Lúcia Miguel Pereira, definida por Piza como autora da "primeira biografia importante" de Machado, dizem que o escritor abandonou por ingratidão a madrasta Maria Inês, morta em 1874. Aceito na burguesia fluminense, ele teria vergonha da mulata, recolhida por um amigo. O escritor Coelho Neto esteve com ele no enterro de uma senhora. Ele teria demonstrado grande afeto por ela, dizendo: "Era minha mãe." A cena, que lembra um dramalhão de Douglas Sirk, pode ser ficção. Piza diz que não há comprovação desses fatos. CONSERVADOR: Alguns biógrafos tentam escamotear aspectos negativos da personalidade de Machado. Piza, ao contrário, diz que "ele era conservador, principalmente nos assuntos morais, como se viu em sua atuação como censor de peças teatrais". FOTO TROCADA: Circula até hoje uma foto que seria de Machado e Carolina, ele de cartola e ela de chapéu e leque, descendo de um carro. Piza garante que não é o casal. Lembra que o ex-diretor da Casa de Rui Barbosa, Américo Jacobina Lacombe, já esclareceu que se trata do engenheiro de ferrovias Gabriel Osório de Almeida e sua mulher. MONARQUISTA: Piza não vacila. Classifica Machado de liberal pró-abolição, mas também favorável à Monarquia, achando que a nova classe dirigente, republicana "não poderia servir de exemplo para a população". Machado, segundo ele, não aprovava o espírito cientificista da época, o que não quer dizer que fosse religoso. EPILEPSIA: Machado tinha consciência não só do preconceito de cor como temia que sua epilepsia pudesse dificultar seu trânsito social. Piza lembra que ele viveu numa época em que um epilético como ele era visto como portador de uma doença moral, de uma insanidade, causada por uma deficiência da alma. FEMINISTA: Machado não era contrário a inovações, como pregam alguns. Piza lembra que ele "apoiou abertamente a eleição das mulheres" e costumava citar a vida das abelhas para provar que uma "dama robusta" seria, sim, capaz de nos governar. CAPITU: Machado, em agradecimento a resenhistas que escreveram sobre Dom Casmurro, não menciona em nenhuma das cartas que a sugestão da traição de Capitu fosse impertinente. CRÍTICO SOCIAL: Foi só a partir dos anos 1960, com a colaboração de intérpretes estrangeiros (Jean-Michel Massa, Helen Caldewell), que se começou a ressaltar a virtude de Machado como crítico social, segundo Piza.

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