Robson Fernandjes/Estadão
Robson Fernandjes/Estadão

Pontapé inicial

Marta anuncia hoje, no Itaquerão, pacote de 1,2 mil atrações, ao custo de R$ 19 milhões, para a Copa 2014

Jotabê Medeiros , O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2013 | 02h15

O pontapé inicial será hoje, às 10 horas, no Itaquerão, novo estádio do Corinthians, na Zona Leste de São Paulo. Mas não se trata de uma partida de futebol: é o lançamento da programação cultural da Copa do Mundo 2014. Um pacote de atrações que vai reunir, entre os dias 10 de junho e 15 de julho do ano que vem, cerca de 1.200 apresentações pelo País, a um custo de R$ 18,8 milhões (o maior edital de cultura já pilotado pelo governo).

A programação, que será distribuída pelas 12 cidades-sede da Copa, começa a ser definida por comissões de notáveis, compostas por 40 pessoas. As inscrições já começam amanhã.

Todos os recursos vêm do Fundo Nacional de Cultura, e sua destinação já tinha sido definida há um ano, segundo a ministra Marta Suplicy.

A ministra da Cultura vai anunciar o pacote no Itaquerão. "Quando se fala de cultura, é algo sempre bem-recebido, as portas estão sempre abertas. Há uma fome de conhecimento, uma vontade de saber das coisas de boa qualidade. E isso vai ter muito", afirmou, dizendo que vê uma boa abertura para o tema, apesar dos protestos vistos nas portas dos estádios durante a Copa das Confederações. "As pessoas, os indivíduos, muitas vezes constroem cultura. Os países também. Basta você pensar em Hollywood para a imagem dos Estados Unidos, a gastronomia e os grandes escritores franceses, os monumentos na Itália", diz Marta. "Temos uma imagem forte, de alegria, mas é muito ligada ao carnaval. A Copa é um momento único para mostrar uma imagem cultural mais diversa do Brasil. Temos de preparar um acolhimento à altura de uma copa."

Marta elogiou a programação cultural da Copa do Mundo da África do Sul, em 2010. "Não me lembro bem das outras copas, mas me parece que nenhuma teve um componente cultural tão forte. Não era uma marca da Copa do Mundo, mas a África do Sul sacou isso, esse potencial. Acho que foi até melhor do que a de Berlim", afirmou.

A ministra anunciou que pretende adotar na programação da Copa 2014 a estratégia de "flash mob cultural" criada em Londres pela diretora artística das Olimpíadas, Ruth Mackenzie. A própria Ruth recomendou a Marta o sistema de apresentações-relâmpago em locais anunciados pouco antes pelas redes sociais, um dos maiores sucessos de Londres.

Marta não quis comentar sobre a possibilidade de coordenar uma programação cultural ainda mais abrangente, a das Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016. "Todo meu planejamento só vai até 2014. Depois não sei se vou voltar. Eu tenho de planejar para 2014, mas a gente pode deixar uma experiência bem boa, de acervo, de bagagem, para ajudar a solidificar a Olimpíada."

O investimento será em programação, mas também em infraestrutura. Os beneficiados serão, principalmente, os museus. As cidades-sede da Copa do Mundo 2014 concentram 23% dos museus brasileiros. Uma das grandes mostras previstas é uma exposição de design do Victoria & Albert Museum, da Inglaterra, no Museu Nacional de Brasília.

"As pessoas estão no jogo de futebol, elas também ficam na cidade, se locomovem, vão e vêm. Nós estamos trabalhando com o Ministério do Turismo, fazendo tudo junto, para que possamos ter realmente um acolhimento turístico à altura de uma Copa." Os recursos anunciados hoje pela ministra referem-se ao Fundo Nacional de Cultura (FNC) de 2013. O FNC de 2014 também deverá conter verbas para a programação. "Nós optamos por fazer um edital único, que sai no dia 9 de agosto, e que inclui todas as coligadas e as secretarias do Ministério."

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