Política segundo Paulo Markun

Após deixar a direção da Fundação Padre Anchieta, ele inicia hoje na TV Gazeta como comentarista político

Cristina Padiglione, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2010 | 00h00

Lá e cá. Série com Markun na Cultura ficará no ar até julho        

 

Presidente da Fundação Padre Anchieta pelos últimos três anos, em mandato que durou até o fim do mês passado, o jornalista Paulo Markun estreia hoje na TV Gazeta como comentarista político de eleições, dentro do Jornal da Gazeta. Em contrato assinado por apenas cinco meses, a valer pelo período de eleições, ele se compromete a participar do noticiário ancorado por Maria Lydia duas vezes por semana - ou, se algo relevante ocorrer no contexto eleitoral, mais que isso. Nos debates agendados pela emissora entre candidatos à Presidência, ao governo do Estado e ao Senado, sim, Markun também entrará em cena para fazer perguntas. A mediação será de Maria Lydia.

Um segundo contrato mais longo depende ainda da formatação de um programa que o jornalista vem desenvolvendo com a direção da emissora, na linha de entrevistas e debates.

Não se pode dizer, no entanto, que a estreia de hoje represente um retorno ao vídeo - a série Brasil Portugal, Lá e Cá, concebida por ele e pelo jornalista português Carlos Fino, parceria entre a emissora pública de São Paulo e a RTP2, tem mais sete episódios a serem exibidos, sempre aos domingos, lá e cá.

Esta será a terceira jornada de Markun na TV Gazeta. Esteve lá em 1986, via Abril Vídeo, com Silvia Poppovic, e depois nos anos 90, quando fazia lá o Questão de Ordem e o Fogo Cruzado, ambos dedicados a debates semanais. "É uma volta em bom momento, porque a Gazeta está com uma renovação grande no seu parque de equipamentos, já tem outros programas sendo desenhados."

Até abril, Markun tinha como certa a palavra do então governador José Serra sobre sua permanência na TV Cultura. Foi surpreendido, em maio, com a indicação de João Sayad ao posto, pelo mesmo Serra. Quando a reportagem do Estado pergunta a Markun se ele já reencontrou o atual pré-candidato do PSDB à Presidência após sua saída da emissora, ele diz que não - "Trocamos alguns e-mails durante o processo da minha saída." É bem possível que os dois venham a se reencontrar já na condição de entrevistador e entrevistado.

"É apenas uma circunstância. Nunca condicionei minhas preferências pessoais ao meu exercício profissional", diz Markun. "Quando assumi a presidência da Fundação Padre Anchieta, fiz questão de colocar, atrás da minha mesa, um quadro com todos os crachás das empresas onde trabalhei pelos meus 38 anos de profissão, para eu nunca esquecer que esta é a minha profissão: sou jornalista." Antes de assumir a presidência da Cultura, Markun já circulava pela emissora desde 1998 como âncora do Roda Viva.

A tarefa de tecer comentários em temporadas eleitorais ele também já exerceu, na Globo, na Record, na Abril Vídeo e na extinta TV Manchete. "Não é uma novidade pra mim. O que eu acho mais desafiador agora é que estamos num cenário político bem mais consolidado." Acredita que a legislação eleitoral já foi mais rigorosa no aspecto de engessar os debates e aposta na temporada eleitoral para aprofundar alguns temas sempre tratados de modo normalmente raso.

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