Polícia vai investigar denúncia contra TV Cultura

Um dossiê anônimo que circula pela Internet com acusações contra a direção da Fundação Padre Anchieta levou o presidente da instituição, Jorge da Cunha Lima, a abrir um processo policial para identificar e responsabilizar criminalmente os responsáveis."Comunicamos que o nome do presidente da TV Cultura - Jorge da Cunha Lima - foi indevidamente utilizado em mensagem eletrônica aos principais órgãos de comunicação do País, contendo uma série de disparates, o que constitui ato criminoso", informou, ontem, a Assessoria de Comunicação da fundação. "Providências policiais cabíveis já foram tomadas para a responsabilização do autor que se valeu das facilidades de anonimato que a Internet oferece", afirma o comunicado.A TV Cultura recusou-se a comentar o assunto. Está lançando uma nova programação e não quer turvar o noticiário rebatendo denúncias. A polícia já deu início às investigações do caso, mas ainda não tem nenhum suspeito.O dossiê contém denúncias graves. Mas algumas das denúncias parecem ater-se mais a uma questão interna, comezinha, e não de interesse público. E outras mereceriam pelo menos um comentário da TV Cultura, já que seria simples rebater alguns argumentos com uma mera negativa. Por exemplo: a TV Cultura firmou contrato, em 1999, com a empresa Starsat/Connect para a venda de espaço publicitário.O contrato com a Starstat/Connect, feito sem licitação, é criticado desde o ano passado - mas uma suposta atualização desse contrato, após a dissolução da sociedade entre Starsat/Connect, parece ainda mais irregular. O autor do dossiê acusa a emissora de repassar 20% do valor vendido para a empresa Connect, de propriedade de Marcos Amazonas.A emissora também é acusada de ter repassado 20% do valor de um contrato de permuta - feito com o Banco Ford - para a empresa de Amazonas. A permuta foi feita para a renovação da frota de carros da emissora.O autor do dossiê também afirma que o diretor de Programação da emissora, Walter Silveira, atuaria irregularmente no cargo. O Conselho Curador da TV Cultura deve aprovar os nomes dos diretores para que eles sejam efetivados no cargo. Segundo o dossiê, apenas o presidente da fundação, Jorge da Cunha Lima; o diretor-técnico, Francisco Munhoz; e o diretor-superintendente, Luciano Vieira, foram aprovados pelo conselho. Silveira entrou no lugar de Rogério Brandão, a convite de Cunha Lima, mas seu nome não teria sido submetido a aprovação.Critica-se também a falta de condições de trabalho na emissora, o que a estaria levando a apagar fitas de arquivo para gravar programas novos - por falta de dinheiro para investir em material.O texto do dossiê começa ironizando o que chama de "oásis de qualidade na TV brasileira" e termina com o seguinte texto: "Esta denúncia está sendo enviada para o sr. governador do Estado, Mário Covas; todos os membros do Conselho Curador da TV Cultura; todos os funcionários da emissora; todas as TVs afiliadas da TV Cultura; todos os principais veículos de imprensa; ao Sindicado dos Radialistas de São Paulo."O presidente do Conselho Curador da TV Cultura, Antônio Carlos Caruso Ronca, disse que vai examinar as denúncias, mas que, a princípio, tem "asco" de documentos anônimos. "O ambiente na TV Cultura é claro, transparente, sem nenhum problema", disse Ronca, reitor da PUC-SP.A TV Cultura passa por uma fase difícil nos últimos anos. Durante os primeiros três anos da gestão Cunha Lima, só produziu dois documentários. Chegou a ter os telefones cortados por falta de pagamento. A direção buscava, principalmente, enxugar a estrutura que havia herdado.Bloqueio - O problema mais recente foi com a Embratel. A empresa bloqueou o sinal da TV Cultura no dia 19 de junho, às 18 horas, o que impossibilitou a emissora a retransmitir sua programação pela Rede Pública de Televisão. "Lamentamos a atitude da empresa privatizada que resulta em grave prejuízo à prestação de serviços públicos que a emissora assegura através de sua programação", disse Cunha Lima, em nota distribuída à imprensa.Logo em seguida - como já havia ocorrido anteriormente - a emissora conseguiu o religamento do sinal por meio de um efeito suspensivo concedido pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.Segundo fontes ligadas à TV Cultura, a emissora já chegou a ter 10 milhões de espectadores. Hoje, segundo informou a emissora, a média em São Paulo é de 2 pontos (cerca de 160 mil domicílios) e, no Brasil, de 4 pontos porcentuais (360 mil domicílios)."O desastre em termos de audiência é evidente e é decorrente da falta de investimento em novos produtos há cinco anos", diz o deputado César Callegari (PSB), ex-conselheiro da fundação. A Cultura anunciou nesta semana uma nova programação.

Agencia Estado,

02 de agosto de 2000 | 18h47

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