Polícia recupera obras roubadas de Minas Gerais

Cerca de 60 peças de arte sacra, a maioria do século XVII e XVIII, roubadas de duas igrejas de Minas Gerais, foram recuperadas nesta sexta-feira pela divisão fazendária das superintedências da Polícia Federal de São Paulo e Minas. Propriedade das igrejas de São Caetano e Mariana, e de Santo Amaro de Brunal, ambas em Minas, os anjos barrocos de madeira, castiçais, cristos crucificados, palmas, santos e anjos tocheiros foram encontrados com o antiquário José Timóteo Gonçalves, de 76 anos, que foi preso sob acusação de receptação. Também foi detido Marcos Machado, que integrava o bando, sob a mesma acusação.Um anjo tocheiro e uma Nossa Senhora da Conceição estão avaliados cada um em US$ 70 mil. A polícia tem informações de que várias peças foram vendidas na Europa. Outros seis integrantes do grupo estão foragidos.De acordo com o delegado Wagner Castilho, porta-voz da Polícia Federal, a quadrilha usava sempre o mesmo método: "visitavam as igrejas como turistas e uma moça, de apelido Nenê, ficava escondida no forro da igreja e à noite abria a porta para os bandidos. Quando não era possível se esconder no forro, os bandidos forçavam as portas da igreja com um macaco hidráulico. Abertas as portas, os bandidos entravam pelo vão e roubavam o material, depois vendiam para colecionadores em São Paulo e no Rio. Muitas vezes o material era comprado de boa fé". O bando já estava sendo investigado pela PF desde 98, quando foram roubadas outras igrejas. Uma das pistas usadas pela polícia esconde uma história curiosa: toda a quadrilha apareceu em uma fotografia de capa de um livro didático de História de 6ª série como se fosse um grupo de turistas.

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