Polícia, Igreja e Censura

Arnaldo Antunes diz que a banda até então não tinha conseguido soar grande como queria, talvez por imaturidade deles ou da captação dos produtores com quem tinham trabalhado. "Isso é uma coisa. Teve também o episódio da prisão, o disco todo tem uma certa violência, que responde àquela situação de vida, em faixas como Estado Violência, Polícia. E também o contexto conceitual, por cada faixa falar de uma instituição. É um disco muito amarrado conceitualmente e muito condensado sonoramente. Enfim, tem uma série de elementos. Foi um momento muito especial pra gente", diz o compositor e cantor.

Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2010 | 00h00

"Polícia para quem precisa de polícia" tornou-se um dos versos mais populares da banda entre roqueiros e prováveis agredidos em geral. Igreja foi uma resposta de Nando Reis às declarações de Roberto Carlos em favor da proibição do filme Je Vous Salue Marie, de Godard. Arnaldo Antunes não concordava com a letra e saía de cena quando chegava a hora dessa canção no show. Mas fazia isso também em outras - os Titãs tinham seis vocalistas que se alternavam.

"O que realmente me incomodava era essa coisa de ter qualquer certeza. Nunca tive uma certeza religiosa e também não tenho do ateísmo. Tinha outras músicas em que eu não fazia coro, não estava presente. Esse episódio com Igreja era irrelevante, mas acabou sendo tão comentado que com o tempo passei a ficar no palco e cantar a música, porque também não era para virar uma bandeira", lembra Arnaldo.

Censura. A ditadura militar ainda dava suas últimas tesouradas, mas os Titãs não sofreram o mesmo golpe desferido contra a Blitz, que teve duas faixas do primeiro disco totalmente riscadas no vinil, como forma radical de impedir que fossem tocadas. Mesmo assim, tiveram a canção Bichos Escrotos proibida de ser veiculada nas rádios, especialmente por causa de um verso, esse também vetado para ser cantado nos shows. "Com o tempo algumas rádios passaram a tocar, fazendo um ruído na hora do "vão se foder". O problema era o palavrão", diz Arnaldo. "No show, a gente não podia cantar essa parte, mas o público gritava. Era genial."

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