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Polêmico Houellebecq vem a Paraty

Escritor francês, que tachou o islamismo de 'a religião mais idiota do mundo', confirma participação na feira literária

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2011 | 00h00

Polêmico, odiado e amado, Michel Houellebecq não é um simples escritor: sua história comprova a tendência a se tornar um mito. É o que poderão confirmar os frequentadores da próxima edição da Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, que ocorre em julho - Houellebecq é uma das estrelas convidadas e sua participação será confirmada nos próximos dias.

Desde que sua literatura despontou, no fim da década de 1990, a ascensão de Houellebecq começou justamente com seu segundo romance, Partículas Elementares, lançado em 1998 na França e no ano seguinte no Brasil (Editora Sulina). A receita era unir todas as inquietações humanas em um só caldeirão: a solidão, a incapacidade de amar, os prazeres e a frustração do sexo, a aversão e a dedicação extremada ao trabalho, tudo filtrado por uma visão sombria da sociedade.

O lançamento foi estrategicamente preparado, uma vez que ocorreria em pleno verão, ou seja, a estação em que as editoras disputam a tapas um espaço na mídia (só naquele ano, havia outros 295 autores sendo apresentados): 15 dias antes de a obra chegar às livrarias, Houellebecq figurou na capa da revista Les Inrockuptibles com a seguinte manchete: "Perigo: Explosivo". Em seguida, em entrevista em outra publicação de grande visibilidade (Lire), que precedeu uma enxurrada de críticas, despertando atenção para ele.

Nascido em 1958 em uma família mal estruturada, que em pouco tempo se despedaçou e influenciou seu estilo agressivo, Houellebecq sempre conviveu com o escândalo. No ano passado, antes de ganhar o maior prêmio literário francês, o Gouncourt, pela sua quinta obra, La Carte et le Territoire (O Mapa e o Território), ele se debateu com certos críticos que o acusavam de ter copiado trechos inteiros do site de pesquisa Wikipédia. Os leitores, no entanto, não se importaram com a polêmica, apoiando o lançamento. Outra facção da crítica também o aplaudiu, considerando o livro sua melhor narrativa.

Raphaëlle Rérolle, do jornal Le Monde, por exemplo, não se conteve: "La Carte et le Territoire é um romance apaixonante sobre a França contemporânea. Continuamente lido e comentado, este homem não pode ser excluído dos prêmios literários sem que caiam no ridículo".

O livro retrata de forma impiedosa certas atitudes contemporâneas nas quais o escritor, além de atacar a arte e a vida campestre, também parodia a si mesmo.

A vitória no Goncourt, aliás, veio tardia - Houellebecq já concorrera com o mesmo Partículas Elementares e com A Possibilidade de Uma Ilha, em 2006. O flerte dos críticos também passou imune à série de polêmicas declarações dadas pelo escritor - em 2001, por exemplo, em uma entrevista, ele qualificou o islamismo como "a religião mais idiota do mundo". Acusado de "incitação ao ódio racial" e "injúrias", acabou absolvido.

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