Polêmicas no novo Mariinsky

Espaço custou US$ 700 milhões - dez vezes mais do que o previsto - e não se sabe ao certo o que fazer com ele

SÃO PETERSBURGO, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2013 | 02h09

Desde os tempos dos czares, não havia um projeto cultural de tamanhas proporções. O novo teatro Mariinsky, inaugurado na semana passada, custou US$ 700 milhões. O prédio, de feições modernas, está conectado ao Mariinsky original, construído com todos os ornamentos do século 19, por uma ponte sobre o canal. E tem sido alvo de atenção desde os inícios das obras, há cerca de uma década.

Não foi apenas a longa duração da obra que chamou atenção internacional, mas também as diversas trocas de arquitetos ao longo do trabalho, assim como o orçamento final dez vez maior do que o estimado inicialmente. A construção de vidro e calcário foi descrita por muitos como moderna demais e, por outros, como moderna de menos. Ambiciosa demais, ambiciosa de menos. E assim por diante.

"Sinceramente, as pessoas não gostaram nada deste prédio", diz Galina Logutenko, vice-diretora da Filarmônica de São Petersburgo, que costuma se apresentar na Sala Shostakovich. "Mas o mais importante é que estaremos lá dentro e não do lado de fora", continua.

Depois de meses de testes de acústica - o último realizado há duas semanas, com o maestro Valery Gergiev à frente da orquestra em uma interpretação da Sinfonia nº 5 de Mahler -, o teatro foi inaugurado na quinta-feira, em uma apresentação de gala com a participação de dezenas de músicos e bailarinos, incluindo a soprano Anna Netrebko e a bailarina Diana Vishneva, estrelas do antigo Mariinsky, inaugurado em 1860.

Gergiev é amigo pessoal do presidente Vladimir Putin. Com a abertura do teatro, ele realiza seu sonho de criar em São Petersburgo um complexo teatral como o Lincoln Center, de Nova York. "Este é um microcosmos da Rússia, que passa a ocupar um espaço no ocidente", diz Jack Diamond, arquiteto responsável pelo projeto final. O problema, agora, é o que fazer com ele. Depois de uma excitante temporada de inauguração, ainda não há programação anunciada. Mas a ênfase, ao que parece, deve ser em espetáculos e grupos de fora. / THE NEW YORK TIMES

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