Polêmica substituição de madeira

Trecho do texto do superintendente do Iphan ilustra as dificuldades de conciliar métodos clássicos de restauro

Victor Hugo Mori, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2010 | 00h00

A substituição de grande parte do madeiramento e o renivelamento de toda a estrutura era o grande desafio técnico e conceitual. O parecer do consultor japonês era que apenas a mesma madeira utilizada (eucalipto) poderia ser empregada nas peças substituídas e nas próteses a serem executadas. A estrutura japonesa, neste caso, configurava um delicado sistema de apoios e travamentos compostos, que não permitira a convivência entre materiais com densidades e coeficientes de dilatação diferenciados. Era a mesma conclusão dos técnicos do Iphan e do Condephaat. A substituição de vigas com encaixe em espiga que adentram os pilares, sem a desmontagem dos mesmos, foi solucionada por um novo sistema de encaixe em uma das espigas. Essa solução engenhosa foi criada pelo sr. Mário Ferraz, antigo mestre carpinteiro aposentado pelo Iphan.

Quando a estrutura atua como elemento formal, numa perfeita simbiose entre técnica e estética, a substituição do madeiramento estrutural do Casarão é polêmica: o artigo 8.º da Carta de Veneza diz que "os elementos de escultura, pintura ou decoração, que são parte integrante do monumento, não lhes podem ser retirados, a não ser que essa medida seja a única capaz de assegurar sua conservação". O artigo 10.º recomenda que "quando as técnicas tradicionais se revelarem inadequadas, a consolidação do monumento pode ser assegurada com o emprego de todas as técnicas modernas de conservação e construção". A ambiguidade desse artigo parece priorizar em primeira instância o emprego das técnicas tradicionais, e só quando julgadas inadequadas poderão ser empregadas as técnicas modernas.

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