Polcas e valsas no comércio

Estudo recupera relação entre música e propaganda no Brasil do século 19

João Luiz Sampaio, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2011 | 00h00

A venda, escreve o pesquisador da USP Marcos Júlio Sergl na apresentação de Música e Propaganda, sempre foi sustentada pela forma de comunicação do emissor para o receptor. A máxima pode ser aplicada tanto para os arautos da Idade Média quanto para a mais recente ferramenta desenvolvida nos meandros das mídias sociais. E também para a enorme quantidade de partituras que, escritas a partir da metade do século 19 no Brasil, ajudaram a criar um curioso mercado publicitário calcado na música de compositores como Ernesto Nazareth ou Chiquinha Gonzaga, tema do livro de Paulo Cezar Alves Goulart agora lançado.

O jingle como o conhecemos surgiria oficialmente nos anos 30, mais ou menos o período em que se encerra a pesquisa de Goulart. Há, é claro, um universo rico a ser explorado a partir desse marco. Mas o que lhe interessa é voltar um pouco no tempo e "reconstituir a origem e a evolução das músicas de propaganda editadas e distribuídas no Brasil desde meados do século 19". É um universo fascinante que Goulart nos revela. Ficamos conhecendo uma dezena de peças, distribuídas como brindes dos fabricantes e comerciantes a seus clientes. É o caso da habanera Hesperidina ou da polca Panlicorina, que levavam no título o nome de medicamentos que pregavam o rápido alívio para dores estomacais; ou então de Formicida Guanabara, para piano, cujo frontispício da partitura daria inveja à mais elaborada edição das ópera de Carlos Gomes.

O livro serve com certeza como subsídio à pesquisa sobre a propaganda no Brasil. Mas, ao revelar aspecto pouco conhecido da produção de diversos autores importantes, ajuda também a jogar luz sobre um período pouco estudado, ainda que fundamental, de nossa música: a passagem do século 19 para o 20.

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