Poetas dominam entre os lançamentos de livros

A história de Adoniran BarbosaNo registro de nascimento, era João Rubinato, um filho de imigrantes italianos que trocaram o Vêneto pela pequena cidade de Valinhos, perto de Campinas. Mas por trás do nome de batismo está a figura de Adoniran Barbosa, talvez o maior sambista e poeta popular da cidade de São Paulo. Compositor de sucessos inesquecíveis como Saudosa Maloca, Trem das Onze e Samba do Arnesto, Adoniran percorreu uma trajetória que se confunde com a própria história da cidade e de seus tipos.A história do poeta ítalo-caipira está agora em Adoniran ? Se o senhor não tá lembrado, dos jornalistas Flávio Moura e André Nigri. Nas palavras do professor Antonio Candido, em artigo no final do livro que inaugura a coleção Paulicéia, João Rubinato fez muito bem em adotar um pseudônimo, ?porque um artista inventa antes de mais nada a sua própria personalidade; e porque, ao fazer isto, ele exprimiu a realidade tão paulista do italiano recoberto pela terra e do brasileiro das raízes européias. Adoniran Barbosa é um paulista de cerne que exprime a sua terra com a força da imaginação alimentada pelas heranças necessárias de fora?Adoniran ? Se o senhor não tá lembrado apresenta fotos, caricaturas e imagens da vida e da carreira de Adoniran, além de detalhada discografia do compositor.Adoniran ? Se o senhor não tá lembrado ? Boitempo Editorial, 200 págs, R$ 26,00.A poesia de Cassiano RicardoAos 20 anos, em 1915, Cassiano Ricardo, um paulista de São José dos Campos, estreou com Dentro da Noite. A partir de 1926 ? depois de ter abraçado a experiência modernista ?, juntamente com Guilherme de Almeida e Menotti del Picchia, levantou a bandeira do ?verde-amarelismo?, em resposta ao nacionalismo exacerbado do movimento ?Pau-Brasil?, liderado por Oswald de Andrade.Segundo a professora e crítica de literaria Nelly Novaes Coelho, Cassiano Ricardo demonstrou não só uma vitalidade inigualável em sua geração, como também submeteu-se a uma série de provações: empenhou-se na conquista de novas soluções estilísticas, em decorrência de novas imagens de mundo e continuou fiel à sua ?garra? original.Na apresentação, do livro que acaba de chegar às livrarias, a professora Luiza Franco Moreira destaca que a maior parte dos poemas selecionados por ela nesta antologia está fora do prelo há muito tempo. Por esse motivo, o livro permite ao público retomar contato com o trabalho de um poeta que exige muito do leitor, mas ao mesmo tempo proporciona recompensas inesperadas. ?Os melhores momentos de sua poesia são notáveis pelo bom humor e a espontaneidade?, diz ela.Melhores Poemas de Cassiano Ricardo ? Global, 304 págs, R$ 34,00.Quatro grandes poetas brasileirosUm livro que começa com o mineiro Carlos Drummond de Andrade. Ele e seu belo poema Quadrilha. João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém. João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para a tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na história. Em seguida, desfilam pelas páginas da antologia os pernambucanos Manuel Bandeira e João Cabral de Melo Neto e o carioca Vinicius de Moraes. O fecho é de Bandeira, com o seu Poema do Beco.Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte?? O que vejo é o beco.O Melhor da Poesia Brasileira ? José Olympio, 176 páginas, R$ 19,00.O livro que inspira novela de Manoel CarlosUma entrevista de Manoel Carlos, autor da novela Mulheres Apaixonadas, da TV Globo, fez um livro quase sumir das livrarias. Vendeu, vendeu. Rita, Ritinha Aprendendo a Amar ? A história real de uma filha de pai alcoólatra, de Rita Ruschel, está chegando à terceira edição. Na entrevista, Manoel Carlos diz que foi buscar no texto da autora personagens para a novela.Palavras da escritora: ?Este é um livro para quem tem o coração forte e o ouvido desprovido de preconceito.? De fato, o livro, lançado há pouco mais de um ano ? é um relato dos descaminhos e da incompreensão que marcaram a sua trajetória de filha co-dependente do alcoolismo paterno. Rita é filha do ator Alberto Ruschel, conhecido, principalmente, pelo seu desempenho no filme O Cangaceiro (1953).Mas não é apenas dor e sofrimento que o leitor encontrará nas páginas de Rita, Ritinha Aprendendo a Amar. O talento da escritora, e o seu longo processo de aprendizado e superação pessoal, permitiram-lhe que abrisse espaço também para a ironia, o humor ágil e, principalmente, a esperança.Rita, Ritinha Aprendendo a Amar ? Ágora, 222 páginas, R$ 29,00.As fábulas da nonnaAs histórias bem poderiam ser das ruas de Roma, onde Liliana Laganá nasceu. Mas, não. A Última Fábula conta a vida menos agitada de uma pequena aldeia dos Apeninos, no espinhaço da península italiana, onde a mãe da autora se refugiara após a partida do marido para o front, no início da 2.ª Guerra Mundial. A narradora é uma menina, que vive com encantamento na aldeia situada no alto de uma colina, circundada por muralhas seculares, o único lugar do mundo, para ela, onde crianças nascem, brincam e ouvem fábulas nas noites de inverno. O mundo longe, para além dos montes e do mar, que se enxergam no horizonte, é o lugar da guerra, para onde partiram o pai e os tios.Mas aquele mundo em conflito chega também até a aldeia, que é ocupada e queimada pelos alemães e bombardeada pelas forças aliadas, atestando que, afinal, a guerra era para todos, inclusive para as crianças. Quando a guerra acaba, e a menina pensa que tudo irá voltar a ser como antes, naquele mundo feminino de trabalhos e preces, parte da aldeia com a família. E no trem de refugiados, que a leva de volta a Roma, se dá conta de que, com o fim da guerra, perdeu aquele pequeno canto de mundo que tanto amava, mas leva na memória a magia das fábulas que ouvia a avó contar. As fábulas que, agora, Liliana Laganá decidiu passar para o papel.A autora, nascida em Roma, como dissemos antes, emigrou com a família para o Brasil em 1955, aos dezesseis anos. Licenciou-se e doutorou-se pelo Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, onde hoje é docente da pós-graduação. Fez também, na mesma universidade, mestrado em língua e literatura italianas, e traduziu para o português alguns dos maiores escritores da Itália, como Cesare Pavese, Elio Vittorini, Ítalo Svevo, Carlos Levi e Giuseppe Bonaviri. Escreveu também contos tendo como tema a imigração italiana para o Brasil.A Última Fábula ? Casa Amarela, 174 páginas, R$ 25,00.

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