Poeta sul-coreano abre Feira de Livros de Frankfurt

O poeta sul-coreano Ko Un inaugurou hoje a 57.ª Feira do Livro de Frankfurt com um discurso dedicado à busca da alma da literatura de seu país, convidado especial deste ano. A Coréia do Sul, como país convidado do evento, enviou a Frankfurt uma delegação de 400 escritores, entre outros artistas, enquanto a Coréia do Norte decidiu não enviar ninguém.Segundo o poeta Ko Un, o fato de os monges coreanos terem inventado a imprensa décadas antes de Gutenberg faz com que o livro faça parteda "herança tradicional" do país."A literatura coreana sobreviveu a mais de mil invasõesestrangeiras por ter continuado transmitindo sua própria linguagemde geração em geração. É algo notável pensar nas numerosas nações daregião que perderam sua linguagem e seu sistema de escrita",destacou o poeta sul-coreano. Como exemplo, Ko Un mencionou o surgimento da literatura modernacoreana durante a dominação japonesa, na qual estava proibidoinclusive falar coreano, algo que o poeta sofreu na própria carne."Eu tive de mudar meu nome original coreano para um nome japonês, quando iniciei a escola primária, o idioma coreano estava abolido etodas as aulas eram dadas em japonês", disse. A respeito da divisão do país, ocorrida depois da 2.ª GuerraMundial, Ko Un comemorou o fato de que, em meados deste ano, 200escritores de ambas as Coréias tenham começado a buscar caminhospara unificar a nação e a literatura coreana. AP/Últimos preparativos para a maior feira de livros do mundo Além disso, acadêmicos e escritores das duas Coréias, incluído o próprio Un, embarcaram no projeto de elaborar um novo dicionário de coreano. Entretanto, todos esses sinais de cooperação cultural nãoconseguiram fazer com que a Coréia do Norte aceitasse compartilhar o papel de país convidado com a Coréia do Sul nesta edição da Feira, fato lamentado expressamente por Ko Un.Os números de Frankfurt/2005 Com mais de 7 mil exibidores de cem países, que deverão movimentar cerca de um bilhão de euros, além de um público estimado em 270 mil pessoas, começa a 57.ª Feira de Livros de Frankfurt. Além de privilegiar o país convidado, que é a Coréia do Sul, graças à proximidade da Copa do Mundo de futebol, os organizadores dedicaram um espaço especial para o evento: em uma área de 2 mil metros quadrados, será oferecida toda a literatura mundial de futebol, além de exposição de fotos, mesas-redondas e projeção de jogos clássicos e do atual campeonato alemão. O escândalo estará presente no lançamento do livro Artistas & Prostitutas, do fotógrafo David LaChapelle, que retrata o mundo fake e sexy. O Brasil vai participar com um estande da Câmara Brasileira do Livro e da Libre, a associação que reúne pequenas e médias editoras.

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