Poeta peruana ganha prêmio Octavio Paz

A poeta peruana Blanca Varela, que receberá nessa sexta-feira o Prêmio Octavio Paz de Poesia e Ensaio 2001 disse que começou a escrever graças a ele. Durante uma entrevista coletiva na Cidade do México, Blanca disse hoje que em 1949 chegou a Paris com seu marido, o pintor Fernando de Szyszlo e imediatamente ficou amiga do prêmio Nobel de literatura mexicano Octavio Paz, que a ensinou a escrever poesia de maneira sistemática."Sou poeta graças a ele, devo admitir-lo", disse a ganhadora de um dos prêmios literários mais importantes da hispanoamérica, equivalente a US$ 100 mil. Blanca, de 75 anos, disse que ainda tem forças e energia para suportar o peso da poesia."Não penso em suicidar-me, como a americana Silvia Plath ou a argentina Alejandra Pizarnik, mas as entendo, pois escrever poesia é um horror difícil de suportar". Para ela há poucos poetas valiosos na Espanha contemporânea, comparando-se com a América Latina. Ela é a quarta a ganhar o Prêmio Octavio Paz, que já foi concedido ao chileno Gonzalo Rojas (1998), ao brasileiro Haroldo de Campos (1999) e ao espanhol Tomás Segovia (2000). Nacida em Lima, 1926, Blanca disse que os poetas de sua geração são os melhores do Peru na atualidade, pois puderam escrever sem o peso de uma figura como a de César Vallejo. Para ela, os jovens poetas estão mais interessados no sucesso do que na arte. "Isso me parece ridículo, porque todos sabemos que poesia não dá dinheiro. Um poeta escreve porque não pode deixar de fazê-lo. É uma predestinação, quase uma fatalidade"

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.