Bianca Pimenta/ Divulgação
Bianca Pimenta/ Divulgação

Poeta do mobiliário

Filme e livro examinam a obra de Sérgio Rodrigues, designer dândi

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2013 | 08h39

Último dândi da arquitetura, o carioca Sérgio Rodrigues chega aos 86 anos no mês que vem com um interesse renovado em torno de sua obra: na Alemanha, o cineasta brasileiro Peter Azen finaliza um documentário sobre o artista, enquanto dois arquitetos cariocas, Ivan Rezende e Lia Siqueira, finalizam um livro dedicado ao seu mobiliário. Também se estabelece no Rio o Instituto Sérgio Rodrigues, destinado a cuidar da obra do designer – ele é tido, por muitos, como “o pai do mobiliário brasileiro”.

Seus móveis podem ser encontrados do Itamaraty à casa de Kim Novak, em Hollywood. Artesão, desenhista, gourmet, arquiteto, designer e comerciante de móveis (foi dono da lendária e inovadora Oca, em Ipanema, e hoje possui duas lojas em Tribeca, em Nova York), Sérgio foi o autor da famosa Poltrona Mole, em 1957, que se tornou um símbolo tão expressivo daquela época da bossa nova quanto toda a ilusão globalizante do período. Tem trabalhos nos acervos do Museum of Modern Art (MoMA) de Nova York e museus de Estocolmo, Munique e outras capitais europeias.

Trabalhou com Niemeyer, com Darcy Ribeiro, fez casas para Regina Casé, Arthur Fontes. Ainda assim, como diz Mari Stockler, curadora do instituto que leva seu nome, seu trabalho é bem mais reconhecido no exterior do que no Brasil. A criação do instituto objetiva expandir o conhecimento sobre a sua obra em sua terra.

O cineasta Peter Azen experimentou de maneira muito íntima o conceito da obra de Sérgio Rodrigues: nos anos 90, o arquiteto projetou para sua família a casa de campo denominada Xalex, em Petrópolis. Alguns anos depois, ele projetaria o apartamento dos pais de Azen no Rio. O diretor se apaixonou pelo trabalho do arquiteto.

“Gesamtkunstwerk (obra de arte total, em alemão) é a palavra que descreve melhor a obra do Sérgio. De seus móveis, aos seus desenhos, casas e até o seu trabalho como cenógrafo ele sempre fez tudo com muito bom gosto, harmonia e humor”, diz Azen. “Tanto pelas casas quanto pelos móveis, você percebe claramente que a preocupação maior dele é com o conforto, e mesmo assim cada peça é uma obra de arte. Ele cria móveis para ele, a esposa, os filhos, os cachorros, os gatos sentarem, e também para ler o jornal e contar histórias”, afirma. Segundo Azen, seu filme sobre o arquiteto buscará ser uma obra “com a cara do retratado”.

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