Poeta britânico Robert Graves é acusado de plagiar amante

Segundo pesquisador, a própria Laura Jackson teria percebido semelhança de seus textos com os de Graves

Efe,

04 de julho de 2008 | 15h59

Robert Graves (1895-1985), considerado um dos maiores poetas britânicos do século passado e autor de livros sobre a mitologia grega, foi acusado por um acadêmico de roubar idéias e versos de sua amante norte-americana, Laura (Riding) Jackson. Segundo Mark Jacobs, pesquisador da Universidade de Nottingham Trent (Reino Unido) - que dedicou 20 anos ao estudo de 700 cartas de Laura para Graves -, esta teria percebido semelhanças entre coisas que havia escrito e alguns textos de Graves, e acusou o poeta de plágio. Jacobs, que atualmente escreve um livro sobre a relação entre Graves e Laura, afirma que esta última teve uma enorme influência sobre a obra do britânico e acredita que é preciso revisar os escritos do autor de Eu, Claudius depois de tal revelação. Graves e Laura se tornaram amantes em 1920, quando o poeta ainda vivia com sua primeira esposa, Nancy Nicolson, e a nova parceira do autor foi morar na casa do casal pouco depois de uma tentativa de suicídio, à qual ela mesma se refere em uma de suas cartas. Segundo Jacobs, Laura acusou Graves de ter "roubado" suas idéias, das quais se apropriou como se fossem suas, para utilizá-las em um estudo final sobre a inspiração poética A Deusa Branca, publicado em 1948. Ainda segundo Jacobs, a obra de Graves foi inspirada em um ensaio que Laura escrevera nos anos 30 e que tem o título de A idéia de Deus. Graves e Laura foram morar em Mallorca, onde ela deixou seu manuscrito quando o casal teve de fugir da Espanha, no início da Guerra Civil, em 1936. Segundo Jacobs, o manuscrito - que Laura pediu a Graves para atirar à fogueira -, foi usado pelo poeta como base de A Deusa Branca. Entre 1926 e 1929, Graves roubou muitas idéias e pesquisas de sua amante para utilizá-las em seus livros, acusa o especialista. Graves utilizou também quatro versos de um poema que Laura publicara pelo menos 20 anos antes sobre Hércules em seu próprio poema Ogmian Hércules. Em suas cartas a Jacobs, a escritora acusa, entre outras coisas, seu ex-amante de ter "chupado, sangrado, espremido, saqueado e despedaçado" sua obra depois que ambos terminaram a relação, em 1939, e considera que foi uma vingança. No entanto, o professor Dunstan Ward, presidente da Robert Graves Society, afirma que há provas suficientes de que Graves havia começado a desenvolver a teoria de A Deusa Branca antes de conhecer Laura. Além disso, seu poema A History, escrito também por Graves antes do início do relacionamento, e os veros de Ogmian Hercules, supostamente plagiados, são uma homenagem a Laura Jackson.

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