Poeta Ana Paula Pedro lança 'Primeira Chuva no Deserto'

O fazer poético da atriz, psicóloga e poeta é semelhante ao de Ana Cristina César e Hilda Hilst, entre outras

Da Redação,

05 de dezembro de 2008 | 13h36

A atriz, psicóloga e poeta Ana Paula Pedro lança nesta sexta, 5, na Livraria da Vila, seu primeiro livro de poesias, Primeira Chuva no Deserto, publicado pela editora Ibis Libris. Essa paulistana que adotou o Rio para viver, tem seus poemas apresentados e elogiados pelo poeta maranhense Salgado Maranhão, que assina as orelhas do livro, e pelo poeta e dramaturgo mineiro-carioca Geraldo Carneiro, além de prêmios na bagagem, provenientes de um movimento poético tipicamente carioca como o Festival Carioca de Poesia 2002 e eventos como Ponte de Versos e Terça converso no Café, que geraram antologias das quais Ana Paula faz parte. Segundo Maranhão, Ana Paula integra um novo elenco de poetas que "souberam erguer sintaxes pessoais, sem carimbos estéticos anteriores" e que estão marcando um território como fizeram Olga Savary, Hilda Hilst, Adélia Prado, Orides Fontella e Astrid Cabral nos anos 60. Já Carneiro, aponta diferenças entre poeta-mulher e poeta-homem e semelhanças entre o fazer poético de Ana Paula e as poetas com as quais se identifica, Ana Cristina César e Hilda Hilst. Leia o poema que dá título ao livro: Primeira Chuva no DesertoFecho os olhos e imagino contigo a primeira chuva no deserto. Vejo-te sentado no estreito balcão, mudo, olhos vidrados no trajeto de cada gota. Fico ao teu lado observando esta imprevista chuva e, após alguns instantes, atiro-me nos úmidos braços celestiais.... Deixo a chuva lavar minha alma e meu corpo, entrego-me às surpresas do deserto, refaço-me inteira. Quando volto meu olhar para ti, vejo que, assim como o deserto, tu também estás a chover. Lágrimas que parecem não ter fim. Não me apiedo de ti - o tempo, por vezes, parece demasiadamente curto. A eternidade se encerra em um segundo. A vida, por vezes, é urgente.... Precipito meus braços em tua direção. Observo teu lento caminhar e quando, finalmente, estás diante de mim, dançamos ao som dos estalos do encontro da água com a areia. Esfoliando nossas almas das dores da vida, vimos um novo dia raiar, dançando juntos, a música que nos habita.... Em teus braços Em teus braços sou uma(espécie de maciezcomo névoa em mares)que navega em tez d’águaTu, minha nauque me transportas porsecretos redutossagrada eu, tua bruma úmidaJuntos somosembarcaçõesilusões de esquecimentofome de delíriosEntrego-me em teus braçose em tisou sóesquecimento.Primeira Chuva no Deserto (Ibis Libris), de Ana Paula Pedro. Livraria da Vila . R. Fradique Coutinho, 915 - Vila Madalena, São Paulo, SP fone - 3814.5811. Lançamento, 5, sexta. Das 18h30 às 21h30

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