Poesia em mil melodias

Em encontro com parceiros, o múltiplo Geraldo Carneiro fala de seus ofícios

ROBERTA PENNAFORT / RIO , O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2011 | 03h08

Poeta, letrista, roteirista de TV e de cinema, tradutor, amigo dos amigos, os novos e os da vida toda, e pai de Vinicius, caçula de três, homônimo daquele que foi o maior - e que apaga sua primeira velinha dias depois de o pai soprar 60, em junho de 2012.

Múltiplo há mais de 40 anos, desde que começou a escrever, o mineiro-carioca Geraldo Carneiro fecha dezembro recobrando o fôlego para dar cabo dessas e de outras realizações. Dois roteiros de filmes e dois livros o aguardam depois do réveillon.

Gravado em 2006 por conta de um projeto do Sesc e lançado agora pela Biscoito Fino, o CD Gozos da Alma foi o fio condutor de um bate-papo entre Geraldo, Wagner Tiso e Danilo Caymmi na última sexta-feira, que passou por seu trabalho com música, seus surtos de poesia e causos das décadas de amizade.

Os sofás eram os da casa de Geraldo, no Jardim Botânico, entre o piano, os livros e pacotes de presentes de Natal. Danilo canta duas faixas do CD: a rasgada A Flor e o Cais, de Geraldo e Tiso, e o Choro de Nada, de Geraldo e Eduardo Souto Neto, o primeiro parceiro, ainda no colégio.

É essa sua música mais conhecida, graças às gravações de Vinicius, em 1975, e, três anos depois, de Tom Jobim. "Tudo o que eu quero fazer o Vinicius já fez antes de mim", brincou o maestro quando lembrado por Geraldo da coincidência.

"A gente se conhece desde 68, vimos a Copa de 70 juntos, sentados na cama de Dorival Caymmi. A gente torcia contra, por causa da ditadura, mas veio o gol do Jairzinho e quebramos o estrado pulando", rememorou Geraldo. "Mas a vida é tão confusa que só temos duas parcerias. Ainda vamos fazer um CD com canções de amor", disse Danilo.

Tiso, "maestro delirante", chega, e lembra que os encontros entre os dois sempre foram mais "para fazer farra do que música". "Quando mostro música para o Geraldinho, ele dá pitaco, é músico também." O piano foi o primeiro instrumento, seguido do violão. Mas ele diz que suas melodias são medíocres.

Retrospectivo - dos anos 60 para cá -, o CD tem parcerias com Francis Hime (destaca-se O Amor Passou) e John Neschling (como a brejeira Rita Baiana), além de Egberto Gismonti (Palhaço), coautor mais constante.

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