Poesia de Paul McCartney terá edição brasileira

Ao descobrir que a editora inglesa Faber and Faber anunciava o lançamento do livro Blackbird Singing, com poemas do músico Paul McCartney, o editor Luiz Fernando Emediato, da Geração Editorial, logo enviou um e-mail para o agente responsável, oferencendo uma proposta para uma tradução brasileira. "Fiz uma oferta realista, de acordo com nossas possibilidades", conta Emediato que, surpreso, rapidamente recebeu como resposta um contrato de cessão de direitos. "Ajudou também eu conhecer o agente, com quem já negociei a publicação de outros livros."Blackbird Singing é a primeira coletânea lançada por Paul McCartney, que cedeu ao apelo do editor Adrian Mitchell e reuniu toda a sua produção poética inédita, criada desde a década de 60. Trata-se de um verdadeiro inventário dos poemas do ex-Beatle, com destaque aos dedicados à mulher, Linda. Na introdução do livro, Mitchell carinhosamente adverte: "Limpe sua mente. Esqueça o nome e a fama. Leia essas palavras transparentes e decida por si mesmo - Paul não é moderno nem acadêmico, mas um poeta popular".Além dos versos, o livro traz letras de músicas que já se tornaram clássicas. Assim, Dinner Tickets, um poema sobre a infância, divide espaço com Yesterday, Lady Madonna e My Love. A reunião de toda a poesia permite descobrir o estado de espírito de McCartney em momentos distintos. She Came in Through the Bathroom Window, por exemplo, exibe uma das preferências do música, os jogos de palavras: engenhosos, simples, divertidos. "Ele não criou nenhuma obra-prima, mas são poemas sinceros, bonitos", analisa Emediato.A última parte do livro traz uma produção mais madura e irônica, especialmente no poema Irish Language, em que McCartney revela sua admiração pelo sotaque dos irlandeses e sua forma peculiar de mexer as mãos. Os últimos poemas são justamente os dedicados à Linda McCartney, que morreu de câncer.Tradução - Enquanto na Inglaterra o livro do ex-Beatle será lançado na próxima semana, a versão brasileira, ainda sem título, será um dos destaques da Geração Editorial na Bienal do Livro, em maio, no Rio de Janeiro. A tradução vem sendo feita por Márcio Borges, que pretende respeitar a métrica e as rimas dos poemas. O tradutor vai verter também as letras das músicas para o português, mas sem nenhuma preocupação com a melodia. "Assim, não se deve tentar cantá-las, pois poderá surgir alguma decepção", comenta Emediato.A versão brasileira será maior que a original inglesa, que tem 164 páginas - como optou por uma edição bilíngüe, o editor brasileiro calcula que sua edição terá por volta de 350 páginas. Já a capa deverá repetir a original, desenhada pelo próprio McCartney: inteiramente branca, manchada apenas pelo pequeno desenho de um pássaro, no canto superior.

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