Poemas breves do cotidiano

Ana Neustein escreveu poemas durante toda a vida, mas ao invés de publicá-los, como fazia seu pai, o poeta mineiro José Franklin Massena de Dantas Motta (1913-1974), autor de Elegia do País das Gerais, ela preferiu guardá-los na gaveta.

MARIA FERNANDA RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2012 | 03h09

Hoje, aos 69 anos, resolveu mostrar parte do que produziu discretamente nas últimas cinco décadas e apresenta seu primeiro livro - Poemas (Breviário). A sessão de autógrafos está marcada para hoje, a partir das 18h30, na Livraria da Vila (Rua Fradique Coutinho, 915, Vila Madalena, telefone 3814-5811).

Mineira de Aiuruoca, Ana vive em São Paulo e sua poesia ora mostra paisagens rurais ora retrata a solidão da metrópole. A rotina melancólica, a aceitação dos mistérios da morte, as perdas irremediáveis, as despedidas, os sons ouvidos na calada da noite e a simplicidade dos dias são alguns dos temas de Ana Neustein, que acabam sempre apontando para esperança e possibilidades de recomeço.

Ao final do livro, a poeta cria uma espécie de dicionário em que dá os seus próprios significados para palavras como adeus ("palavra que só existe na escrita/ Não é nem na fala e nem na vida"), aborto ("efêmero filho que não teve nome"), amor ("é o sentir que vai de um braço para outro/- Abraço" e violoncelo ("instrumento que para o som nascer/ É necessário que você afaste as pernas/ E o abrace").

Em outros momentos, a autora, formada em Filosofia e especializada na obra do francês Gaston Bachelard, faz seu texto dialogar com trecho de música de Fito Paes e com o trabalho do pai. Herança é o poema que encerra a obra: "Um fio de pérolas/ Um brinco/ Centenas de sonhos embrulhados/ Em papel de seda".

A historiadora Vera D'Horta, amiga de infância e do tempo em que sua família visitava a de Ana no Sul de Minas, ficou responsável pelo prefácio.

"É bom ver que os versos de Ana guardam a mesma dignidade mineira, a sabedoria artesanal, a religiosidade da terra. Os poemas são curtos, do tamanho que pede o resguardo de sua personalidade discreta", escreve.

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