Poema divide Suprema Corte da Califórnia

O caso de um garoto condenado com base em um poema que escreveu foi parar na Suprema Corte da Califórnia. Um menino de 15 anos identificado como George T. passou 100 dias internado em um reformatório por conta de versos como "Porque eu sou sombrio, destrutivo e perigoso" e "Porque eu posso ser o próximo garoto a trazer armas para matar alunos na escola". Para a defesa, trata-se de expressão artística, ainda que adolescente. "É o caso clássico de uma pessoa tentando comunicar seus sentimentos por meio de um poema", disse à Corte o advogado Michael Kresser.Contra si, o rapaz tem a indignação nacional que causaram chacinas escolares como a de Columbine High, em 1999, que leventaram pressões para que o governo intensifique a segurança nas escolas. O poema de George T. foi descoberto 11 dias depois de uma outra chacina, a do Santana High School, em 2001. Uma colega de classe avisou a professora, que chamou a polícia. George T., hoje com 18 anos, foi detido e expulso da Santa Teresa High, de San Jose.Associações civis estão acompanhando de perto a disputa, com receio de que a decisão possa ferir a liberdade de expressão, prevista na primeira emenda da Constituição americana. O caso divide juízes, e por enquanto não há sinal de que tipo de decisão pode ter a Corte. Alguns juízes não vêem ligação direta entre poesia e ameaça, outros ponderam que a primeira emenda deve proteger manifestações deste tipo. Mas para o promotor Jeffrey Laurence, a emenda não protege condutas criminosas. Partilha desta opinião a juíza Rogers Brown, dizendo que um assaltante não pode ficar imune se passar a um caixa de banco um bilhete com o "poema": "Rosas são vermelhas, violetas são azuis, passa o dinheiro ou eu atiro". A decisão deve sair em até 90 dias.

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