Plimpton, com humor

No ano de sua maioridade, evento mostrou seleção de grandes filmes; os vencedores serão anunciados hoje

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2013 | 02h12

Embora ainda deva exibir amanhã os vencedores que serão anunciados à noite, o 18.º Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade encerra-se oficialmente neste sábado. A cerimônia de premiação será no Cine Livraria Cultura, onde ocorreram as sessões da competição brasileira. E o festival se encerra fechando um ciclo - repete hoje o longa de abertura no Rio, Plimpton! Estrelando George Plimpton como Ele Mesmo, de Tom Bean e Luke Poling.

Em São Paulo, a abertura foi com Paulo Moura - Alma Brasileira, de Eduardo Escorel, um retrato emocionante do músico que fez a ponte entre o popular e o erudito na MPB. Grande Paulo Moura. Impossível não se arrepiar com cenas como aquela em que o biografado discute o ritmo. Ele fala da sua dificuldade como ritmista, e de repente é o corpo que está entrando na batida e definindo o ritmo (e o blues). É um momento que extrapola a música, tem a ver com política - uma política do corpo, que Paulo Moura, como homem negro (interessante a história de que era preciso alisar o cabelo para ser aceito nos clubes), precisa 'liberar'.

Emoção em São Paulo, humor no Rio - e agora de volta a São Paulo. No catálogo do festival, os diretores Bean e Poling explicam que a ideia do filme veio porque eles sempre admiraram o trabalho de George Plimpton. Mas qual Plimpton? Escritor, fundador da revista literária Paris Review, esportista e ator, Plimpton foi múltiplo e fez tantas coisas na vida que sua biografia não parece pertencer a uma só pessoa. Justamente essa complexidade atraía os diretores e, quando começaram sua pesquisa preliminar, eles se perguntavam - por que nunca ninguém fez este filme antes?

Bean e Poling buscaram apoio da viúva de Plimpton, Sarah. Ela não apenas lhes deu sua bênção como abriu arquivos pessoais do ex-marido. George, afirmam os diretores, foi certamente uma das personalidades mais interessantes do século passado. Como dar conta de sua persona? O próprio Plimpton faz a narração e Bean e Poling ainda contaram com depoimentos do escritor Gay Talese e do cineasta Albert Maysles. O resultado é divertido - Plimpton era um entertainer -, fascinante, inteligente. Bean e Poling deram conta da tarefa imensa a que se propuseram. Retratam, com multiplicidade de pontos de vista, um personagem que foi único, e muitos.

No ano de sua maioridade, o É Tudo Verdade apresentou uma das melhores seleções de sua história. Nas competições - brasileira e internacional - e em sessões paralelas ou especiais, o evento mostrou grandes filmes. Alguns dos melhores - Our Nixon, de Penny Lane, que perfila o ex-presidente e seu entourage por meio de filmes domésticos que, por décadas, permaneceram inéditos, apreendidos pelo FBI como provas no processo de Watergate. Minha Revolução Roubada, de Nahid Persson Sarvestani, em que a cineasta expia a culpa de ter fugido do Irã deixando para trás seu irmão de 17 anos (e ele foi executado pelos fundamentalistas). Não Me Esqueça, de David Sieverking, que resgata sua história familiar e, por meio da mãe, vítima de Alzheimer, se interroga sobre a geração que tentou mudar o mundo nos anos 1960.

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