Platéia de Jundiaí vibra com 'Tropa de Elite'

Reportagem do 'Estado' acompanha uma sessão do polêmico filme de José Padilha no interior de SP

Patrícia Villalba, do Estadão,

07 de setembro de 2027 | 20h00

Se depender de Jundiaí, o golpe da pirataria não tirará o brilho de "Tropa de Elite" quando finalmente chegar o dia da estréia oficial, 12 de outubro. Na quarta-feira, na sala 3 do cinema Maxicom, não eram poucas aspessoas que confessavam já ter visto o DVD que circula entre camelôs de todo o País. "Eu vi sim o pirata, e fiquei tão impressionado com o filme que quis muito ver em tela grande", diz o estudante Gustavo Bulhões.Veja também: Trailer de Tropa de Elite Trailer de O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias "Tropa de Elite" será exibido na cidade até domingo, como parte de uma estratégia da produção para concorrer a uma indicação ao Oscar - o que já se sabe que não deu certo. Passa uma vez por dia, às 16h30, um horário ingrato. Mesmo assim, a procura pelo filme de José Padilha que conta os bastidores das ações do Batalhão de Operações Especiais (Bope) em repressão ao tráfico de drogas no Rio de Janeiro, surpreende: na quarta-feira eram 120 pessoas na fila.  Amigo de Gustavo, o publicitário Renato Favarim não quis ver a cópia pirata, para não perder o impacto. Mas era a segunda vez que ia ao cinema ver o filme. "A qualidade dele é superior, o som, a fotografia, a edição matadora, tudo. E a atuação do Wagner Moura (que interpreta o narrador da história, o Capitão Nascimento), pelo amor de Deus!", elogia. "São quatro e meia da tarde, e olhe como a sala está cheia. Será que tinha tanta gente assim para ver 'O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias?'", questiona Gustavo, ao ser informado de que "Tropa" não vai ao Oscar e depois de dizer que o filme com certeza "arrebentará" no exterior. Durante a sessão, as reações da platéia surpreendem. Como um verdadeiro "duro de matar", Wagner Moura conquista a platéia logo nos primeiros cinco minutos, que torce por ele e pelos seus "mocinhos" aos gritos. Quando diz "a nossa farda não é azul, é preta", as moças suspiram e se afundam na cadeira. E não por acaso, sinal dos tempos, as cenas extremamente violentas em que soldados do tráfico são torturados chegam a ser aplaudidas em algumas fileiras do cinema. "Acho que as pessoas se sentem vingadas quando vêem policiais firmes e honestos maltratando bandido. Não importa se é policial corrupto ou traficante, alguém tem de pagar", pondera Renato. "A gente tem e levar em conta que o filme é contado sob o ponto de vista do policial (Nascimento). Então, não adianta  ficar dizendo que o filme é fascista porque ele segue a mente do policial, é um ponto de vista do problema do tráfico", anotou o estudante Ricardo Costa. A realidade das cenas e a maneira como a corrupção policial é tratada pelo roteiro, sem meias-palavras, impressionaram a platéia. "Acho que o meio policial é desse jeito mesmo, o filme é bem real", avalia o marceneiro Fábio Berro, que foi com a ex-mulher Iva Jesus à sessão. "A primeira pergunta que me vem à cabeça é: como a polícia deixou que fizessem um filme desses, tão real, que a põe em situação tão difícil?", questionou, em tom de elogio, o aposentado Rubens Vieira.

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