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Planeta Tangerina encanta pais e crianças

Com livros sobre o cotidiano familiar e belos projetos gráficos, editora portuguesa conquista mercado brasileiro

THAIS CARAMICO, ESPECIAL PARA O ESTADO / BERLIM, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2013 | 02h06

Valorizado pelas gerações de autores mais novos que abusam de técnicas e estilos, aprimorando cada vez mais a ilustração e o design gráfico, boa parte dos livros portugueses para crianças são produzidos sem amarras à faixa etária. Entre as pequenas editoras de Portugal, a Planeta Tangerina se destaca no cenário internacional e chama a atenção do Brasil - além de França e Coreia - com seus álbuns ilustrados criados a partir do ponto de vista dos miúdos, mas também a gosto dos pais - com textos perspicazes e sem diminutivos sobre o cotidiano da família.

Nos últimos três anos, os direitos de metade do catálogo foram comprados por editoras brasileiras: 14 títulos publicados por Tordesilhinhas, Cosac Naify, Peirópolis e Cia. das Letrinhas. "Sentimos que as brasileiras estão produzindo obras originais cada vez de maior qualidade e estão atentas ao que se publica em outros países. O que mudou nesse período talvez seja o fato de haver um grande número de novos projetos editoriais e a preocupação com os programas governamentais que dão origem a grandes compras, incentivando as editoras a acertarem no alvo", disse ao Estado, Isabel Minhós, uma das fundadoras da Planeta Tangerina e autora de 12 dos títulos lançados no País.

Três livros editados pela Tordesilhinhas foram escolhidos para integrar o programa Livros na Sala de Aula, do Governo do Estado: Uma Mesa é Uma Mesa. Será?, Quando eu Nasci e A Manta - Uma história aos Quadradinhos (de Tecido). Em comum, eles têm a curiosidade da criança e a figura do adulto sempre presente - em imagem, memória de avós ou diálogos randômicos e por vezes cheios de humor. Para completar, a linguagem visual.

"O texto dessas obras respeita a inteligência das crianças, mas a qualidade do projeto gráfico e a identidade inconfundível certamente chamaram nossa atenção", diz Ibraíma Dafonte Tavares, editora executiva da Tordesilhinhas , que acaba de comprar o sexto título da portuguesa.

Essa identidade está, de fato, no DNA da editora, um reflexo de sua própria trajetória. Foi como um ateliê de design e comunicação que a Planeta Tangerina surgiu há dez anos em Carcavelos, entre Cascais e Lisboa, quando a escritora Isabel Minhós e os ilustradores Madalena Matoso e Bernardo Carvalho resolveram dividir um computador e um apartamento emprestado. Só depois é que a ilustradora Yara Kono, brasileira, juntou-se ao grupo. Os quatro sócios são os próprios autores-editores. Dividem todas as fases do projeto editorial, desde a escolha do papel até às idas a escolas e bibliotecas.

"Foram sete anos trabalhando exclusivamente para clientes até que decidimos criar um projeto que não dependesse de encomendas externas, mas que fosse algo em que pudéssemos colocar para fora nosso lado mais autoral. Hoje, mantemos as duas facetas, o que nos permite não depender exclusivamente da venda dos livros, dando-nos um pouco mais de liberdade para criar", comenta.

Liberdade para criar significa estar numa situação confortável para fazer escolhas em vez de se render às exigências do mercado. "Achamos que as crianças gostam de ser tratadas como alguém que pensa, que se emociona, que faz ligações entre as coisas, que é inteligente", diz orgulhosa relembrando o prêmio que ganhou há um mês na Feira de Bolonha, o de melhor e mais inovadora editora da Europa.

Para Isabel Coelho, diretora do núcleo infantojuvenil da Cosac Naify, vencedora do mesmo prêmio italiano mas entre as editoras da América Latina, a intenção de publicar os livros da Planeta Tangerina não é exatamente pela identidade visual. "Eles trazem temas do cotidiano com humor. O primeiro dos quatro que publicamos foi Pê de Pai. Ele é delicado, poético, divertido e original, pois a maioria dos livros de família é sobre mãe."

Enquanto arrisca e recebe retorno positivo, Planeta Tangerina também se reinventa, dando abertura a novos temas e autores. No ano passado, começou uma coleção para adolescentes com duas jovens autoras portuguesas, Ana Pessoa e Carla Maia de Almeida. Dentro do mesmo modelo, convidou o brasileiro Andrés Sandoval para ilustrar o texto de Isabel Minhós em Siga a Seta, levado depois ao Brasil. "Acompanhei o processo de criação do Sandoval para esse livro, discutimos a dinâmica de trabalho com a Isabel, e por isso tinha tudo a ver publicarmos aqui também", disse a publisher da Companhia das Letrinhas, Júlia Moritz Schwarcz.

Renata Farhat Borges, diretora da Peirópolis, conhece bem os caminhos dos livros portugueses no Brasil. Para ela, publicar a Tangerina faz parte de um projeto iniciado em 2005 com a Antologia de Poemas Portugueses Para a Juventude, organizada por Henriqueta Lisboa. "Em 2012, sob a consultoria da especialista em literatura portuguesa Susana Ventura, tentamos identificar que tipo de obra faltava no catálogo para que fechássemos um ciclo de publicações que desse conta de mostrar ao leitor a história da formação da língua e da literatura portuguesa. Conhecemos o trabalho da Planeta Tangerina e vimos alguns álbuns geniais que falam a língua de todos nós. São belos recortes universais que aproximam gerações", diz.

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