Paulo Pinto/AE
Paulo Pinto/AE

Planeta Coachella

É do deserto da Califórnia que saem artistas e bandas com potencial para tornar o rock melhor

Lucio Ribeiro, O Estado de S.Paulo

09 Abril 2011 | 00h00

Três dias, mais de 160 bandas. Calorzão de dia, friozinho à noite. Visual paradisíaco, instalações de arte e esculturas espalhadas, artistas hollywoodianos na plateia. Arcade Fire, Strokes, Kanye West, Kings of Leon e Cansei de Ser Sexy. E talvez o rapper paulistano Emicida também.

Começa na próxima sexta, em Los Angeles, o gigantesco Coachella Valley Music and Arts Festival, o primeiro dos grandes festivais do calendário da música mundial, deste mundo cada vez mais cheio de festivais grandes.

Realizado na cidade de Indio, no deserto da Califórnia, a cerca de três horas de carro de Los Angeles, o Coachella chega à sua edição de número 12 totalmente indie, mantendo sua tradição de resgatar bandas acabadas e com quatro atrações brasileiras.

O paulistano Cansei de Ser Sexy, a dupla de DJs carioca The Twelves e o DJ solitário Marky (de SP) estão com viagem marcada para se apresentarem lá.

O rapper paulistano Emicida, também, mas sua presença até o momento da publicação deste texto não está assegurada por problemas de visto de trabalho nos EUA. Isso porque, além do show, o rapper pretende fazer um EP em Nova York com um produtor local. O problema estava na documentação toda de Emicida chegar ao serviço de imigração americano, que analisaria o caso e daria a liberação para o consulado dos EUA no Brasil emitir o visto. "A documentação chegou lá quarta", afirmou o produtor Evandro Fióti. "Assim que derem ok de lá, temos a promessa do consulado de obter o visto em 24 horas."

O Coachella 2011 botou um exército indie como carro-chefe. Kings of Leon fecha o primeiro dia. Arcade Fire é a atração principal do sábado. E na noite de encerramento os nova-iorquinos dos Strokes dividem a honra final com o rapper superstar Kanye West, um "intruso" no meio das guitarras independentes. Logo abaixo dos nomes principais, grupos como Interpol, Animal Collective, Mumford & Sons, Bright Eyes e Black Keys, cada um com seu ritmo e de lugares diversos, também são grandes chamarizes do festival, engrossando o caldo indie.

Todos os 55 mil ingressos/dia do festival estão esgotados há tempos. Um público total de 200 mil pessoas são esperados para ocupar o enorme campo de polo de Indio e circular nos três dias do evento por seus dois imponentes palcos externos e suas três tendas do tamanho de um grande casa de shows, tipo o Via Funchal, em São Paulo.

O Coachella mantém firme neste ano sua vocação de ressuscitar bandas. Jesus & Mary Chain, Pixies, Pavement, Bauhaus, Faith No More, Rage Against the Machine e até Kraftwerk, em anos anteriores e entre muitos outros, já armaram seus reinícios depois de rompimentos apenas para tocar no prestigioso evento do deserto californiano. O Coachella todo ano tenta convencer o cantor Morrissey a reeditar em seu palco principal a lendária banda The Smiths.

Neste ano, a banda inglesa Suede, gigante do britpop dos anos 90, faz sua primeira performance nos EUA em quase 15 anos. Outros que se reagruparam para tocar no festival são bandas Big Audio Dynamite, o indie Bright Eyes, o canadense Death from Above 1979 e a famosa antiga banda mexicana Caifanes.

APOSTAS

Strokes

Agora que o álbum novo saiu, é hora de mostrar no palco que o disco é bom, sim.

Arcade Fire

A passos firmes para ser do tamanho de um Radiohead, os canadenses terão seu teste.

The Black Keys

Duo de Ohio de blues rock, bateria-guitarra, cada vez mais esquisitos, cada vez mais populares.

Mumford & Sons

Banda folk inglesa cada vez mais "aceitada" nos EUA.

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