Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Planalto diz que não comentará sobre fala de Roberto Alvim

Em discurso, secretário citou o ideólogo nazista Joseph Goebbels

Julia Lindner, O Estado de S. Paulo

17 de janeiro de 2020 | 11h32

BRASÍLIA - O Palácio do Planalto afirmou, em nota, que não vai se manifestar sobre a fala do secretário especial da Cultura, Roberto Alvim, cujo discurso é quase idêntico ao do ideólogo nazista Joseph Goebbels, e que foi divulgada em canais oficiais do governo. Em nota, a assessoria de imprensa do Planalto afirmou que o secretário "já se manifestou oficialmente".

Após ser criticado por fazer referência indireta a um discurso nazista para divulgar uma ação da Secretaria Cultura, Alvim afirmou em uma rede social que houve uma "coincidência retórica", mas insistiu que "a frase em si é perfeita" e que "não há nada de errado com a frase". 

Segundo o secretário, "todo o discurso foi baseado num ideal nacionalista para a Arte brasileira". "Houve uma coincidência com UMA frase de um discurso de Goebbles [sic]... não o citei e JAMAIS o faria. Foi, como eu disse, uma coincidência retórica. Mas a frase em si é perfeita: heroísmo e aspirações do povo é o que queremos ver na Arte nacional", diz o texto.

"O que a esquerda está fazendo é uma falácia de associação remota:

 com uma coincidência retórica em UMA frase sobre nacionalismo em arte, estão tentando desacreditar todo o PRÊMIO NACIONAL DAS ARTES, que vai redefinir a Cultura brasileira... é típico dessa corja. Repito: foi apenas uma frase do meu discurso na qual havia uma coincidência retórica. Eu não citei ninguém. E o trecho fala de uma arte heróica e profundamente vinculada às aspirações do povo brasileiro. Não há nada de errado com a frase", reforçou Alvim.

A fala de Alvim gerou repercussão negativa na política e em redes sociais. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), pediu que o governo de Jair Bolsonaro afaste o secretário da Cultura. “O secretário da Cultura passou de todos os limites. É inaceitável. O governo brasileiro deveria afastá-lo urgente do cargo”, afirmou Maia pelo Twitter.

Ontem, pouco antes da divulgação do vídeo, Alvim participou de uma transmissão ao vivo nas redes sociais ao lado do presidente Jair Bolsonaro justamente para anunciar o Prêmio Nacional das Artes. 

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