Pistorius sofre de transtorno de ansiedade, diz psiquiatra em julgamento

Oscar Pistorius sofre de um transtorno de ansiedade desencadeado por uma infância instável e pela "traumática agressão" de ter a parte inferior de suas pernas amputadas quando bebê, disse nesta segunda-feira um psicólogo durante o julgamento do atleta sul-africano, acusado de homicídio doloso.

Reuters

12 de maio de 2014 | 11h23

Pistorius nasceu sem as fíbulas na parte inferior das pernas, o que levou à amputação quando tinha 11 meses.

Testemunhando para a defesa sobre sua saúde mental, o psiquiatra forense Merryl Vorster disse que, por causa da cirurgia quando ainda era muito novo, teria sido impossível explicar os motivos do procedimento a ele, o que deixou cicatrizes psicológicas muito profundas.

"Ele era muito novo para entender o por quê", disse Vorster à corte. "Sua mãe não poderia tê-lo confortado por ainda estar na fase pré-linguagem. Assim, isso teria sido percebido como uma agressão traumática".

Pistorius é julgado por assassinato após matar a tiros sua namorada, a modelo Reeva Steenkamp, de 29 anos, em fevereiro do ano passado.

O atleta diz que o incidente foi um trágico erro, e que ele atirou na porta fechada de banheiro em sua luxuosa casa em Pretoria acreditando que havia um intruso atrás dela. A promotoria alega que ele atirou em Reeva em um ataque de raiva.

Se condenado por homicídio doloso, ele pode ser sentenciado à prisão perpétua.

Vorster também disse que o divórcio de seus pais quando ainda era criança teria acrescentado ao jovem sentimentos gerais de ansiedade e insegurança. Após a separação dos pais, Pistorius foi morar com a mãe, que morreu de câncer quando ele tinha 15 anos.

Em sua avaliação sobre o atleta, Vorster disse que a mãe de Pistorius se tornaram cada vez mais ansiosa e bebia excessivamente, tornando impossível para ela dar atenção aos medos e preocupações do filho.

Temendo invasores em sua casa, ela dormia com uma pistola sob o travesseiro, disse Vorster à corte.

Corredor profissional, Pistorius competiu contra corredores sem deficiência, utilizando próteses de fibra de carbono, e tornou-se um dos nomes mais reconhecidos do atletismo. Além de conquistar medalhas paralímpicas, ele chegou às semifinais dos 400 metros nas Olimpíadas de Londres em 2012.

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