Pista a céu aberto na Fazenda Maeda

Mesmo local que abrigou o SWU em 2010 recebe hoje o evento Orbital & Kaballah Festival, com nomes de ponta

Claudia Assef, O Estado de S.Paulo

02 Abril 2011 | 00h00

Se por um lado não se pode reclamar de falta de shows internacionais no Brasil nos últimos anos, o mesmo não dá pra dizer sobre os festivais de música eletrônica, que minguaram no mesmo período.

Em vez de chorar de saudade de eventos como o Skol Beats, fiéis seguidores da música eletrônica devem ficar de antenas ligadas para eventos que começam a se consolidar no calendário, caso do Orbital & Kaballah Festival, que rola hoje na Arena Maeda, em Itu, mesmo local que serviu de cenário para o SWU, em outubro passado.

O festival nasceu da união de duas raves de trance e nesta segunda edição terá mais de 30 atrações. Na primeira edição, o Orbital & Kaballah atraiu 18 mil pessoas, e este ano são esperadas 20 mil.

Entre as atrações, claro que há espaço para o trance, estilo que predominava nas raves, mas não é só isso. Pra agradar o povo da velha-guarda da música eletrônica, há o francês Vitalic. Estarão lá também os brasileiros Gustavo Rozenthal e Felipe Lozinsky, que formam o Felguk, duo carioca que virou sensação depois de remixar a música Celebration, da Madonna. Outros nomes de peso vêm da Alemanha (Oliver Huntemann e Boys Noize), Inglaterra (Mark Knight e Jesse Rose), França (Joachim Garraud e Popof), além de duas atrações brasileiras de peso - e com nomes gringos: King of Swingers, dupla formada pelos top DJs Renato Ratier e Mau Mau, e o levantador de pista da cena psytrance, Wrecked Machines, alcunha do DJ Gabriel Serrasqueiro.

Segundo o fundador da Kaballah, Guga Trevisani, 32 anos, outros gêneros ganharam espaço por exigência do próprio público das raves. "Houve uma mudança de atitude das pessoas que começaram a ir nesse tipo de evento no Brasil. Não existe a menor dúvida de que o trance foi o impulsor de grandes festas de massa no Brasil, ele já chegou a levar até 30 mil pessoas a um único evento. Como produtor, é claro que você quer levar coisas diferentes, ninguém quer continuar seguindo a mesma receita sempre", diz Trevisani, e completa: "é visível que o público brasileiro, hoje em dia, tem mais cultura musical, faz mais pesquisa, está mais aberto a experimentar novos artistas."

Se ele pretende preencher um espaço deixado por grandes festivais como o Skol Beats? "Não resta dúvidas de que se tivéssemos algum apoio, poderíamos estar muito maiores e arriscando muito mais em trazer atrações que o público ainda não conhece", diz o organizador. "Os eventos open air de música eletrônica foram massacrados por uma mídia ignorante durante três ou quatro anos, a palavra rave foi demonizada e isso atrapalhou a relação entre esses eventos e as marcas", reclama. "Não existia uma legislação específica para esse tipo de festa, somente no ano passado é que a Prefeitura de Itu teve a coragem de reconhecer o movimento e criou uma legislação específica para essa formatação de festas a céu aberto", relata Trevisani. Com alvará garantido e line-up eclético, a festa de hoje promete.

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