Pires da Costa vai para o 3.º mandato na Fundação Bienal

Apesar das irregularidades, contas de 2006 da Fundação Bienal são aprovadas

Agencia Estado

14 de junho de 2007 | 18h01

O Conselho da Fundação Bienal de SãoPaulo aprovou na noite de terça-feira, 12, por 23 votos a favor e 20contra, as contas de 2006 da instituição e, por seqüência, foifeita a posse de Manoel Pires da Costa para seu terceiro mandatoà frente da presidência da Fundação. Pires da Costa havia sidoeleito no dia 19 de abril, mas uma série de irregularidades nascontas da Bienal de São Paulo, identificadas por membros de seuConselho Fiscal, provocou um entrave para a posse concreta dopresidente reeleito. "Na minha opinião, minha imagem fica maisvalorizada ainda porque as contas passaram pelo MinistérioPúblico e pelo Conselho, que é soberano. Não uso muito oretrovisor, nem quando dirijo meu carro. São águas passadas",diz Pires da Costa sobre a decisão acirrada de ontem. Ele aindavai formar sua diretoria. O estopim de tudo foi o fato de a empresa privada dePires da Costa, a TPT Comunicações e Editora Ltda, ser aresponsável pela publicação da revista Bien’art, veículodiretamente ligado à Fundação, inclusive feito também comrecursos da mesma, o que infringiu o artigo 6.º do estatuto daBienal de São Paulo - nele se diz que o presidente dainstituição não pode contratar direta ou indiretamente empresasdas quais ele é associado para ações envolvendo a Fundação. Mas,a partir daí, uma série de outras irregularidades na gestão deManoel Pires da Costa foi contestada. A revista Bien’art estáterminada. Pouco antes da assembléia de 19 de abril, Pires da Costase adiantou ao Ministério Público do Estado de São Paulo,apresentando um documento sobre a relação entre a Bienal e TPT eabrindo a entrada da Curadoria de Fundações do órgão para serfeita uma perícia. Ao mesmo tempo, depois da assembléia de 19 deabril, o membro do Conselho de Administração da Fundação Bienalde São Paulo, Carlos Francisco Bandeira Lins, apresentou umamplo relatório, datado de 21 de maio. Entre os principaispontos apresentados estavam o contrato entre a empresa SantaRita Negócios, de Pires da Costa, sobre compras de duplicatas -"os títulos tinham como fundamento contratos de locação deespaços no Pavilhão da Bienal" - e a contratação da KEFCorretora de Seguros, cujo sócio é Francisco Fischer Pagano,genro de Manoel Pires da Costa, para a 27.ª Bienal de São Paulo,realizada no ano passado. Uma comissão formada por ex-presidentes da instituição,Julio Landmann, Carlos Bratke e Alex Periscinoto, analisou tantoo relatório da auditoria feita pelo Ministério Público, quanto orelatório de Bandeira Lins. "Do ponto de vista do MinistérioPúblico o caso foi arquivado, foram colocadas condições e umajuste de conduta", diz Landmann. A comissão não contratou umaauditoria, entregou suas considerações ao Conselho, que empossouPires da Costa. Entre os pontos, apesar de a revista Bien’art jáhaver contado com 30 edições antes da denúncia, Landmann, quefazia parte do Conselho Fiscal da Bienal desde fevereiro, afirmaque "a maioria do conselho desconhecia o fato (de a TPT ser dePires da Costa)."

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