Piratas de massinha

Animação de Peter Lord encanta com humor e invenção

LUIZ CARLOS MERTEN, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2012 | 03h09

Em parceria com Nick Park, Peter Lord criou animações como A Fuga das Galinhas - e Park e Steve Box fizeram depois Wallace e Gromit. Os filmes consolidaram o prestígio da Aardman Animations, uma firma inglesa de animação da qual um autor de prestígio como o japonês Hayao Miyazaki se revela admirador. Peter Lord, agora com Jeff Newitt, está de volta com Piratas Pirados. O filme é divertido e poderá fazer a alegria de adultos e crianças. Como não se cansa de dizer John Lasseter, da concorrente Pixar, animação boa é aquela que faz crossover e atinge todas as idades.

O estilo de animação da Aardman baseia-se em massinhas. Criam-se os bonecos e eles ganham vida por meio da técnica chamada de stop motion, que Tim Burton também utiliza em suas incursões pelo gênero animado. A chamada 'claymation' (de clay, massinha) já havia feito o maior sucesso no videoclipe de Sledgehammer, hit de Peter Gabriel, de 1986. Por mais notável que seja a técnica, ela pode interessar como informação de bastidores. Para o público, independentemente de idade, interessam a história e os personagens. São ambos divertidos em Piratas Pirados.

Toda a aventura se constrói em torno do sonho do Capitão Pirata de vencer o concurso de Pirata do Ano. É o Oscar da pirataria e a premiação se faz num show musical mais extravagante do que o da Academia de Hollywood. Luzes, música - ação! (e isso significa muito canto e dança, incluindo chorus boys e girls). O problema é que o título de Pirata do ano destina-se ao autor das maiores pilhagens, e o porão do navio do Capitão Pirata não abriga nem ratos, de tão vazio, que dirá tesouros.

Essa situação se inverte quando o capitão encontra o naturista Charles Darwin e ele o informa de que o papagaio do pirata, na verdade, é uma galinha - e de uma espécie tão rara que poderá lhe valer a medalha de cientista do ano. Com a medalha, o pirata imagina que virá uma fortuna e aceita 'emprestar' sua mascote, mas Darwin e seu macaco, Mr. Bobo, roubam a penosa e a confusão está formada. Naturalmente que o Capitão Pirata vai aprender que o mundo todo, incluindo o Oscar dos piratas, não vale a galinha/papagaio e etc. Mas isso é a conclusão e, até chegar lá, o herói percorre um longo caminho que inclui uma passagem por Londres, e aqui cabe um esclarecimento.

A história passa-se durante o reinado de Vitória e ela odeia os piratas, tendo dado à sua Marinha ordem para expulsá-los dos mares. O mais divertido é que a lendária rainha é pintada como uma megera que integra uma confraria secreta. Formada por gastrônomos, ela se deleita em degustar, em banquetes fechadíssimos, animais raros ou em via de extinção. Sem o menor remorso - e menos ainda consciência ecológica -, Vitória vira uma predadora feroz em defesa de seus jantares proibidos. A luta do pirata será para impedir que seu 'papagaio' vire o acepipe principal.

No original, ele fala com a voz de Hugh Jackman. Dublado, é Hércules Franco. Em plena era de Piratas do Caribe, Piratas Pirados propõe outra releitura paródica do gênero. É engraçado e o uso do 3D agrega ao espetáculo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.