Luke MacGregor/Reuters
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Pintura vandalizada de Rothko volta a Londres após restauração pioneira

Obra que estava avaliada em até 33 milhões de reais foi danificada por artista polonês que queria afirmar seu movimento artístico

Reuters

13 de maio de 2014 | 11h07

Uma pintura de Mark Rothko vandalizada há 18 meses na Tate Modern Gallery, em Londres, voltou à exposição nesta terça-feira, 13, depois de um inédito esforço de restauração. Os funcionários do museu removeram a tinta grafite de um trabalho artístico sem modificar as camadas da pintura original.

A obra Black on Maroon foi atacada em outubro de 2012 por um aspirante a artista que grafitou, em um canto da pintura, “Vladimir Umanets ’12, A Potential Piece of Yellowism” (em tradução livre, “Uma Peça em Potencial do Amarelismo). A obra era avaliada entre cinco e nove milhões de libras pela casa de leilões Sotheby’s (até R$33 milhões). Rothko doou o quadro para a Tate Gallery em 1970.

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O polonês Wlodzimierz Umaniec, também conhecido por Vladimir Umanets, alegou que o grafite era um ato criativo para promover seu movimento artístico, o “amarelismo”. Ele acabou respondendo por dano criminoso e foi preso em dezembro de 2012.

Os conservacionistas da galeria Tate, uma das mais populares do mundo, disseram que as pinturas de Rothko eram especialmente difíceis de restaurar por causa do trabalho complexo com as tintas promovido pelo artista, de origem letã e americano. As obras envolvem camadas de óleos, pigmentos, resinas, colas e ovos.

Uma equipe de três funcionários e cientistas passaram nove meses pesquisando e testando mais de 80 solventes, seis meses removendo a tinta indevida e três meses restaurando a superfície da obra. “Ninguém havia usado tinta grafite, feita para ser permanente, para danificar uma obra antes, e nós sabíamos quão delicada era a superfície da pintura”, disse Patricia Smithen, chefe da equipe de restauração. “Nós esperamos que este trabalho contribua para o mundo da conservação a partir daqui.”

O diretor da instituição, Nicholas Serota, disse ainda que o projeto foi muito mais bem sucedido do que todos esperavam. A galeria dedica uma sala a Rothko, considerado um dos mais importantes artistas do século 20. O diretor, sem dar mais detalhes, disse que a segurança foi revista após o ataque, e também não esclareceu valores envolvendo a restauração e nem quanto isso afeta no valor da própria obra. No julgamento do agressor, o promotor Gregor McKinley disse à corte que a restauração custaria algo em torno de 200 mil libras (R$744 mil).

Umaniec se desculpou pelas suas ações, reconhecendo que o ato não ajudou seu movimento. “Eu peço desculpas à população britânica pelo que fiz. Acredito que quis mudar o mundo da arte, mas claro que eu fiz isso de um jeito muito errado”, disse, em um depoimento por vídeo. “Passei um ano e meio na prisão, e o povo britânico pagou um alto custo na restauração, então definitivamente não valeu a pena. Provavelmente a única coisa boa que o mundo da arte recebeu foi uma forte mensagem de que algo precisa ser fundamentalmente alterado no seu processo de restauração.”

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