Pintura de Tony Blair nu é destaque na Royal Academy

Obra de Michael Sandle mostra premiê britânico e primeira-dama cabisbaixos na porta da residência do casal, o que remete à expulsão de Adão e Eva do Paraíso

Agencia Estado

12 Junho 2007 | 04h02

A Royal Academy de Londres comemora a demissão de Tony Blair do cargo de primeiro-ministro de uma maneira um tanto controversa: expondo um quadro em que o premiê e a primeira-dama, lady Cherie, aparecem nus, saindo cabisbaixos de Downing Street, rua onde tradicionalmente vive o primeiro-ministro britânico, o que remete à expulsão de Adão e Eva do Paraíso. A tela foi pintada por Michael Sandle, que instalou ao lado da sua obra dois painéis sobre o "caos" criado no Iraque pela guerra após a deposição de Saddam Hussein. A prestigiosa Royal Academy of Arts decidiu colocar essa obra em uma posição de destaque na sua tradicional mostra de verão, que a cada ano atrai mais de 150 mil visitantes. O norte-americano Sadle, de 71 anos, demorou dez dias para dar forma à sua raiva pelo governo de Blair. "Queria esperar antes de mandar o quadro para a Royal Academy, mas fui levado pela raiva por Blair ter arruinado tudo. Permitiu que a sua vaidade arruinasse tudo. Não possui nem um pingo de remorso pelo Iraque. Está convencido de que o que fez foi justo", desabafou o artista ao jornal The Guardian. Os críticos ficaram surpresos com a obra - intitulada Iraq Triptych (Tríptico do Iraque, em tradução livre para o português), de quatro metros de comprimento e um metro de altura -, pois consideravam Sandle um pintor acadêmico, distante de temas políticos. O artista não escondeu a sua satisfação pelo fato de que a sua pintura anti-Blair estará na quinta sala da mostra de verão da Royal Academy e não ficará relegada a "algum canto obscuro".

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