Pintura de Ianelli inspira ?Rosso?

O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) volta a sua programação deste mês para prestar uma homenagem às mulheres. Todas as áreas apresentam um espetáculo ou destacam uma personalidade conhecida. Na área de dança o projeto escolhido foi Rosso, de Cristina Salmistraro. A coreografia será exibida hoje e na quarta-feira da semana que vem.Rosso foi um dos projetos inscritos e escolhidos pelo CCBB para a homenagem ao mês da mulher. O trabalho valoriza e traz à tona o universo feminino. ?Rosso em italiano significa vermelho, cor que inspira a força, a sensualidade e que para mim está ligada às mulheres?, explica Cristina, coreógrafa italiana que está radicada no Brasil desde 1996. Para elaborar a peça, a criadora associou os movimentos à pintura do artista plástico Arcangelo Ianelli. ?A base desse trabalho foi a obra de Ianelli, que explora o vermelho de várias maneiras em suas telas. As pinturas serviram como inspiração para a criação de uma série de cenas e para a edição de um vídeo que interage com as bailarinas durante o espetáculo.? Ianelli também auxiliou na pesquisa de Cristina, que procura entender o imaginário corporal do vermelho.?Partimos de algo abstrato, a cor, para criarmos movimentos. Dessa forma observamos sensações e ligamos o vermelho a alguns tipos de personalidades e comportamentos?, afirma. De acordo com a coreógrafa, as mulheres que melhor se encaixaram foram as mediterrâneas e as orientais. ?Como sou italiana, conheço bem as européias, sei quanto é necessário ser forte para viver lá; já a escolha das orientais está no lado místico e oculto.? Para montar a coreografia, a autora criou três situações distintas: a primeira trata do lado oculto, em seguida acrescenta elementos simbólicos ligados às mulheres e por fim traz os gestos do cotidiano. ?Trabalhamos muito com a oposição profano e sagrado, interior e exterior, sensações e dança.?Para dar liga a essas situações, além do vídeo, a música costura os elementos. José Luiz Martinez se apresenta ao vivo com outros músicos, com instrumentos de percussão. ?O que articula o espetáculo é a música, com ritmos indianos e ciganos?, conta. No palco está presente a integração entre a música e bailarinas. ?Costumo dizer que é uma orquestra de saias, que estamos todos ligados.??Rosso proporciona, para os que executam e aos que assistem, uma experiência interessante: são focos e diferentes expressões artísticas em um mesmo trabalho. As pessoas podem observar como cada artista concebe o vermelho ligado à mulher?, declara. ?Em suma, estabelece relações entre dança, música e artes plásticas e mostra a necessidade de articulação entre elas.?Evolução ? Essa coreografia teve o seu primeiro esboço apresentado no Centro Cultural São Paulo em 2000, como parte da programação do Solos, Duos e Trios. ?Naquele momento ainda estávamos no início da pesquisa, éramos apenas três bailarinas no palco . Agora o espetáculo está com outro formato, com novas cenas e conta com o dobro de intérpretes, que também auxiliaram na composição da coreografia?, observa. ?Esse é um elenco jovem, mais dinâmico, composto por meninas e jovens mulheres que estão desabrochando para a dança.?Após a apresentação de Rosso, platéia e artistas são convidados para um bate-papo com a coreógrafa e professora Ana Terra. A palestra é intitulada A Sinestesia nos Processos Criativos da Dança, que trata os elementos discutidos no decorrer da peça.

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