Pintor e poeta Montez Magno exibe obras em Recife

Depois de seis anos sem expor, o pintor e poeta Montez Magno inundou as paredes do Museu do Estado, no Recife, com 94 trabalhos que integram a série Tantra. São cores e formas que enchem os olhos e o espírito e que pedem, de forma suave ou impositiva, um tanto de tempo e de entrega do espectador, para que ele contemple, medite ou simplesmente se deixe levar pelos significados e intenções das obras.A série, iniciada em 1972, inclui peças realizadas até 2003, mas também trabalhos mais antigos, de 1964, que sem a intenção do tema tantra, já o traziam em si e foram incorporados. Tampouco a série, inédita, termina por aqui. Não somente porque alguns trabalhos ficaram de fora por falta de espaço, mas por ser aberta e intermitente.Visivelmente satisfeito com o resultado da exposição, disposta em três ambientes, com diversidade de materiais - papel, lona, tela, couro de porco de tamborins - e com objetos construídos com madeira, mármore e pedras de rio, o autor define o princípio básico da arte tantra: "Na multiplicidade está a unidade."Derivado do budismo e hinduísmo, o tantra foi apresentado a Montez através de dois livros sobre a arte tantra - um de Philip Rawson e outro de Ajit Mojerkeet - em Olinda, onde morava, em 1972. Conta ter sentido uma empatia imediata porque "a arte tantra é extremamente flexível e multivariada" e o seu trabalho, desenvolvido desde 1954, "é diversificado nos materiais utilizados e em múltiplas conceituações e enfoques".A série, que pode ser vista até o dia 23, é regida por três versões livres da mandala. A mandala, explica o pintor, é um sistema cosmogônico que abrange todo o universo, composto de círculos e quadrados concêntricos, instrumento de realização espiritual para monges budistas meditarem.Nas peças predominam dois símbolos tântricos de caráter religioso e universal - a Ione, representação da energia sexual feminina, e o Língan, representação da energia sexual masculina. Montez frisa ter se permitido criar formas diferentes, variações do tantra, mantendo um eixo que, na sua avaliação, não foge da essência e do espírito tântrico.Pernambucano, de 72 anos, Montez Magno é poeta e escritor - tem 10 livros publicados -, pintor, escultor, ilustrador, artista de várias mídias, com exposições nacionais e internacionais. Em São Paulo, onde expôs pela última vez em 1996, numa coletiva de 15 artistas brasileiros, no Museu de Arte Moderna, ele tem duas obras suas que compõem o acervo do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp) e três no Museu de Arte Contemporânea da USP (MAC).Avesso a computador, internet e celular, Montez usa uma máquina de escrever antiga comprada de segunda mão, e guarda em sua casa, no bairro de Casa Forte, no Recife, cerca de 300 peças de 12 séries inéditas, além de 100 obras em papel e papelão e mais de 400 desenhos, também nunca expostos.

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