Pinguim invade praia do Brasil

Primeiros lançamentos incluirão coletânea de textos organizada por Evaldo Cabral de Mello

Raquel Cozer, O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2010 | 00h00

O selo Penguin Classics foi lançado em 1946, com tradução de E.V. Rieu para a Odisseia de Homero, e hoje passam de 1.200 os títulos publicados com as faixas branca e preta ao pé da capa. Os títulos desse catálogo previstos para sair pelo selo Penguin Companhia Clássicos não são inéditos nem tampouco difíceis de se encontrar em português. Pelos Olhos de Maisie, de Henry James, por exemplo, que integra a primeira leva, já fazia parte do catálogo da editora paulistana.

Mais que o catálogo, boa parte em domínio público, o que a Penguin cede nessa parceria é conteúdo editorial, o que inclui prefácios e notas de rodapé. Mas também know-how e o prestígio da marca, como ressalta Luiz Schwarcz, editor da Companhia das Letras. "Entramos com o trabalho e o conhecimento do mercado local, e ganhamos em troca um patrimônio de 50 anos anterior à nossa editora (a Companhia faz 25 anos em 2011). É um salto de qualidade."

Assim como Matinas Suzuki Jr. e André Conti, que cuidam do novo selo, Schwarcz chegou a fazer uma espécie de estágio na Penguin americana. Os editores brasileiros têm proposto alterações para cerca de 85% das capas nas edições nacionais. "Algumas capas funcionam melhor para o leitor brasileiro. A americana para a seleção de ensaios de Montaigne (que sai numa próxima leva), por exemplo, é ilustrada com uma caveira muito grande. Estamos fazendo uma com desenho mais tropical e vamos propor para Penguin", diz Matinas.

Alterações editoriais são permitidas, mas não sem aprovação de Nova York. O mesmo vale para a parcela de títulos nacionais que a Companhia tem direito a editar pelo selo - dos 48 títulos nos dois primeiros anos, 16 serão de clássicos em língua portuguesa. Por sua vez, a Companhia dá consultoria informal sobre clássicos nacionais que interessem à Penguin americana. A editora acaba de pôr no mercado dos EUA o primeiro título brasileiro dentro do selo Classics, Os Sertões, de Euclides da Cunha. A escolha foi anterior à parceria, mas a Companhia tem dado parecer sobre outros nomes nos quais a Penguin está "mais que interessada", segundo John Makinson, como o baiano Jorge Amado.  

 

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