Pinacoteca já prepara a festa de seus 100 anos

Depois de mais de 20 anos trabalhando no Museu Lasar Segall, o museólogo Marcelo Araújo assumiu a Pinacoteca de São Paulo com pelo menos um desafiogigantesco: preparar uma linha de exposições contínua decomemoração dos 100 anos do museu, que serão completados em2005.Criada em 1905 como Liceu de Artes e Ofícios, aPinacoteca do Estado tem uma presença indelével na produçãoartística paulista. Entre 1912 e 1931, a instituição conduziu umprograma chamado Pensionato Artístico, que enviava pintores eescultores para estudar artes na Europa. "Entre outros, forampara a Europa por meio do programa gente como Brecheret, Mignone, Anita Malfatti", contabiliza Araújo.Na volta, o artista tinha como uma de suas obrigaçõesdoar à Pinacoteca obra que demonstrasse esse aprimoramento. LaPorteuse de Parfum (A Portadora de Perfumes, 1923/24), gessodourado de Brecheret, foi uma dessas obras.Segundo Araújo, a idéia é mostrar como esse acervo se integrou à vida cultural da cidade e fazer uma reflexão nos próximos anos sobre a História da Pinacoteca. Uma das suas metas é propor a artistas um desafio: a ocupação do espaço central da Pinacoteca, de dimensões muito específicas, para a ocupação com trabalhos produzidos especificamente para aquele local, "quase como instalações".Conforme Araújo, "a vocação de um museu é determinadapor uma série de fatores: acervo, localização, espaço físico".Ele julga que a Pinacoteca, como já foi demonstrado na gestão deEmanoel Araújo, tem uma vocação inata para receber grandesmostras internacionais.A outra vocação é possibilitar reflexões, discutir asquestões do processo cultural paulistano - da mesma forma comofez pioneiramente com o concurso Pensionato Artístico. As próximas exposições da Pinacoteca, já marcadas, cumprem um programa preestabelecido pela gestão de Emanoel Araújo. No dia 16, abre-se a mostra de Yvens Machado, um panorama das últimas duas décadas de produção do artista.Em seguida, será a vez do pernambucano João Câmara, quevai apresentar uma série inédita na qual vem trabalhando há 14anos, chamada Recife-Olinda. Em agosto, haverá uma exposição deNobuo. Em outubro, Ianelli.Duas novas exposições internacionais estão marcadas. Emoutubro, Arte Espanhola. E, de janeiro a março, a grande mostrade Albert Eckhout, que vai exibir pela primeira vez no Brasiltodas as 26 telas do mestre holandês de propriedade de museudinamarquês.Marcelo Araújo não demonstra preocupação com aiminente troca de governo no Estado de São Paulo. Emanoel Araújogeriu a Pinacoteca durante os últimos anos do governo Fleury,toda a gestão de Mário Covas e agora Geraldo Alckmin. Para ele,já existe em São Paulo um novo pensamento sobre a questãocultural."Há uma visão mais madura, no sentido de se respeitar adimensão técnica e cultural dos museus", ele diz. "E a minhaindicação foi técnica e profissional". Para Araújo, aPinacoteca conquistou uma visibilidade e respeitabilidade únicas, tanto no Brasil quanto no Exterior, um patrimônio construídoque não pode ser desprezado.

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