Ivo Mesquita, curador-chefe do museu
Ivo Mesquita, curador-chefe do museu

Pinacoteca inaugura exposição que conta a história da arte brasileira

Acervo do museu será mostrado em 'Arte no Brasil - Uma História na Pinacoteca de São Paulo'

Camila Molina, O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2011 | 03h07

Desde dezembro, as salas do segundo andar da Pinacoteca do Estado ficaram fechadas para o público, passando por reformas. Ganharam novo piso, mas, mais do que isso, foram reestruturadas para abrigar a nova exposição do acervo do museu, Arte no Brasil - Uma História na Pinacoteca de São Paulo, que será inaugurada no sábado para ficar em cartaz por cerca de cinco a seis anos.

Como maneira ainda de reciclar a exibição das obras da coleção do museu, Arte no Brasil dispõe de quatro salas para mostras temporárias, que receberão, por períodos de quatro a oito meses, exposições pequenas e em diálogo com a narrativa principal delimitada pela equipe curatorial do museu, e segmentos concebidos pelo setor educativo.

A exposição aposta em apresentar uma história da arte que se encerra na década de 1930 e que tem como destaque a produção do século 19. "Basicamente, a mostra segue uma estrutura cronológica, a partir de dois eixos: a criação de uma visualidade da arte brasileira e a formação de um sistema da arte", diz o diretor da Pinacoteca, Marcelo Araujo. "A ideia era contar essa história de uma maneira clara", afirma o curador-chefe do museu, Ivo Mesquita. Avaliações e pesquisas com historiadores, críticos, funcionários da instituição e com o público foram realizadas para se pensar a configuração da exposição, feita com R$ 2,5 milhões.

Inicialmente, a Pinacoteca tinha como projeto desmembrar as mostras de sua coleção por três espaços diferentes. Em seu prédio principal, na Praça da Luz, apresentaria obras que iriam até as primeiras décadas do século 20; na Estação Pinacoteca, no edifício que pertence à instituição no Largo General Osorio, exibiria o percurso entre o modernismo e o neoconcretismo; e em um espaço futuro, abrigaria a arte contemporânea de seu acervo. Por ora estão indefinidos novos espaços para o museu, órgão da Secretaria de Estado da Cultura - dentre eles, um terceiro prédio e uma área no Liceu de Artes e Ofícios. Mesmo assim, enquanto isso, a Pinacoteca optou por conceber a mostra Arte no Brasil nos moldes anteriores e ainda apresenta, por enquanto, em salas do primeiro andar do prédio da Luz, uma seleção de 33 obras modernistas e neoconcretas.

O átrio do segundo andar, onde antes ficavam em destaque as esculturas de Rodin, foi reformulado para receber os visitantes da mostra e, além disso, abriga novas peças escultóricas da instituição. "Uma questão que apareceu nas pesquisas foi que o público não se localizava e não entendia que a exposição tinha começo, meio e fim", diz Valeria Piccoli, que integra a equipe curatorial da Pinacoteca. Todo o material referente à exposição, ainda, é trilíngue, com folders, textos e legendas escritos em português, inglês e espanhol.

Em Arte no Brasil, o percurso da exposição começa, de um lado, apresentando "a criação de um imaginário sobre o Brasil", afirma Valeria, com obras que tratam desde a tradição colonial, passando por trabalhos criados pelo chamados artistas viajantes e de pintores e escultores que contribuíram para a formação de um imaginário paulista e para a concepção da ideia do que seria o nacional na arte.

Já do outro lado do percurso, aborda o "sistema da arte" - e trata, ainda, da criação da coleção do museu. O mote principal é a vinda da Família Real ao Brasil em 1808, "o que mudou tudo", diz Ivo Mesquita, ressaltando a importância da criação da Academia de Belas Artes no e os modelos iniciais de aquisição de obras pela Pinacoteca, instituída em 1905. Nesse segmento, a mostra apresenta salas que falam do ensino acadêmico e de gêneros (como paisagem, nu, natureza-morta e retrato).

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