Pinacoteca expõe acervo da Coleção Gilberto Chateaubriand

Hoje em dia, o colecionador GilbertoChateaubriand, de 80 anos, compra cerca de 300 obras de arte porano, quase todas com foco na produção contemporânea brasileira.Agora, para se fazer uma idéia do que guarda o seu preciosoacervo, basta saber que ele começou sua coleção em 1954. "É,provavelmente, a coleção particular mais abrangente de artebrasileira do século 20", diz Fernando Cocchiarale,curador-chefe do Museu de Arte Moderna do Rio, onde estáabrigada desde 1993 a Coleção Gilberto Chateaubriand em regimede comodato. Na instituição carioca, o acervo do colecionador, comquase 7 mil obras de um período que vai do começo do século 20até hoje, é sempre exibido por meio de recortes curatoriais, masa partir de sábado, é o público em São Paulo que poderá ver umapanorâmica dessa coleção. Das quase 7 mil obras, foram selecionadas, comsupervisão do colecionador, 169 para fazerem parte da mostraitinerante Coleção Gilberto Chateaubriand: Um Século de ArteBrasileira, que será inaugurada na Pinacoteca do Estado e depois seguirá para o Rio, Curitiba e Salvador. O museu paulistano dedicou suas sete principais salas climatizadas para receber a exposição, com curadoria de Fernando Cocchiarale e Franz Manata - mesmo assim, por causa de espaço, a produção da mostra diz que serão exibidas em São Paulo 160 obras. Não é somente uma bela panorâmica da coleção, mas da história da arte brasileira, década a década, a partir do modernismo, uma oportunidade rara de ver num mesmo lugar tantas obras emblemáticas e referenciais. Como diz Franz Manata, também curador-assistente do MAMdo Rio, o visitante poderá escolher entre dois caminhos: ouentrar pela mostra pela porta que dá na sala do modernismobrasileiro (décadas de 1910 a 1950) ou fazer o percurso inversoe começar pelas obras da década de 1990 e anos 2000. Se aescolha for a primeira opção, um caminho cronológico progressivo dará de encontro com quadros como O Farol, de Anita Malfatti, de 1915; O Urutu, de Tarsila do Amaral, de 1928 - tão emblemático quanto o seu Abaporu, que hoje está na Argentina -; com a xilogravura Chuva, de Oswaldo Goeldi; com a escultura Mulher, de Brecheret; com as telas O Domador, de Alberto da Veiga Guignard; Retrato de Murilo Mendes, de Flavio de Carvalho; Paisagem de Brodowski, de Candido Portinari; com o Retrato de 1923 feito por Vicente do Rego Monteiro, queChateaubriand adquiriu no ano passado depois de mais de 20 anosde espera pela obra, como conta Manata. O visitante encontrará,também, o quadro Paisagem de Itapuã, de José Pancetti, que em 1954 o artista deu de presente a Chateaubriand e, a partir dela, iniciou sua coleção. No começo de seu colecionismo, Gilberto, filho dojornalista-magnata Assis Chateaubriand, fundador do Museu deArte de São Paulo (Masp), contou com uma espécie de assessoriainformal dos artistas Pancetti e Carlos Scliar para adquirirobras. "Mas ele sempre foi muito autônomo", diz Manata.Entretanto, como afirmam os curadores da mostra, a assessoria dePancetti e Scliar contribuíram para causar uma lacuna nacoleção: ela não cobre muito o abstracionismo da década de 1950(em especial, o abstracionismo-geométrico ou concretismo)."Porque o Pancetti e o Scliar gostavam mais de figuração", dizCocchiarale. Tanto que na exposição numa das menores salas estãoas obras desse período - mas dela vale citar um objeto-cinéticode Palatnik, os guaches de Hélio Oiticica de 1958, o Vai-e-vemDiagonal, de Samson Flexor, o abstracionismo-informal em Vitória de 1958, de Manabu Mabe. É inacreditável seguir o percurso e encontrar tantasoutras obras-ícone de nossa história. Mais adiante está a décadade 1960, com a nova figuração misturada com pop art política(obras de Antonio Dias, Nelson Leirner, Gerchman e RaymundoColares, entre outros). Depois, a década de 1970 (ou pouco antesdela), com obras conceituais refletindo o pesado momentopolítico brasileiro, ditatorial - obras referenciais são as deAntonio Manuel, Artur Barrio, Waltercio Caldas, Cildo Meireles.Na década de 1980 tudo muda: é a volta da pintura, carregada dematéria (obras da chamada Geração 80, com expoentes comoCristina Canale, Adriana Varejão e Fábio Miguez). Depois dela,dos anos 90 em diante, as mídias são muitas, mas em especialprevalece a fotografia.

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